A Alemanha quer que a Irlanda peça ajuda à União Europeia (UE) e ao FMI antes da reunião do Eurogrupo de 16 de Novembro.

É que o Governo alemão pretende acalmar os mercados e ver aprovada a sua proposta de colocar os detentores de dívida pública a partilharem os custos de um eventual resgate financeiro a países do euro, no âmbito do mecanismo permanente de auxílio financeiro aos Estados-membros da região, cujo projecto deverá estar concluído até meados de Dezembro, explicou um responsável germânico, citado pela Bloomberg.

A proposta do Governo alemão, que esteve na agenda do último Conselho Europeu, no final de Outubro, não é consensual entre os líderes europeus. Merkel chegou mesmo a entrar em choque, em público, com o presidente do Banco Central Europeu. Jean-Claude Trichet considera que a proposta alemã pode afastar os investidores do mercado da dívida europeia, em especial dos países periféricos. E os factos dão-lhe razão. É que desde que foi conhecida a proposta germânica, apoiada também pela França, os juros da dívida pública a 10 anos da Irlanda e de Portugal iniciaram uma escalada, batendo máximos sucessivos.

“Um pedido de ajuda irlandês iria tirar pressão à discussão do mecanismo

[permanente de auxílio financeiro aos países da zona euro] neste momento”, afirmou Carsten Brzeski, economista sénior do ING. “Mas logo que isso esteja decidido iremos apenas ter uma nova especulação sobre o que significa para todos os países que usem o fundo até 2013”, acrescentou.

Apesar da pressão de Berlim para que a Irlanda peça acesso ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), o ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan, garantiu hoje ao ‘Sunday Times’ que irá resistir a qualquer esforço na reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) para que o Tigre Celta recorra a ajuda externa.

UE e FMI prontos para socorrer a Irlanda

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, referiu na sexta-feira que “se a Irlanda precisar de ajuda, será ajudada”, mas descartou que o país já tenha solicitado auxílio, numa retórica a fazer lembrar as semanas que antecederam o resgate grego.

Na mesma linha, o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou ontem, no Japão, que a instituição não recebeu qualquer pedido de resgate, mostrando-se igualmente disponível para ajudar o Governo de Dublin caso este venha a solicitar apoio financeiro.

A intensificação dos rumores sobre a necessidade de a Irlanda recorrer a ajuda externa surgiu na sexta-feira, depois de a Reuters ter noticiado, citando duas fontes, que “as conversações estão a decorrer e o dinheiro do FEEF será usado”. Respondeu a Irlanda: “Especulações”.

Também a BBC garantiu este sábado que a Irlanda está em “conversações preliminares” com funcionários da UE para preparar uma eventual operação de resgate. As negociações foram, contudo, desmentidas à televisão britânica pelo porta-voz da embaixada da Irlanda em Londres. “Confirmei junto do Ministério das Finanças que não há conversações para solicitar uma ajuda de emergência com fundos da União Europeia”, disse.

Fonte: Económico

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2016-12-01T15:39:12+00:0014/11/2010|Categorias: Internacional|0 comentários
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