David Cameron quer renegociar o contrato de adesão do Reino Unido à União Europeia para tentar convencer os britânicos a ficar. Essa negociação dominará a cimeira desta semana.

A maioria das grandes empresas britânicas está a levar muito a sério risco de o Reino Unido abandonar a União Europeia e muitas estão a fazer planos de contingência, afirmou nesta segunda-feira, 15 de Fevereiro, a presidente da Confederação da Indústria Britânica, Carolyn Fairbairn. Citada pela Reuters, Fairbairn disse que a perspectiva de o “não” à permanência na UE vencer no referendo, que deverá ter lugar em meados deste ano, passou a ser uma preocupação crescente para os empresários e para o planeamento da respectiva actividade.

O primeiro-ministro David Cameron espera que, na cimeira europeia desta quinta e sexta-feira, seja possível fechar um acordo com os seus pares sobre os novos termos do contrato de adesão do Reino Unido, fazendo depender do resultado dessa negociação a sua própria posição no referendo. As sondagens mais recentes mostraram uma pequena e crescente vantagem de britânicos que prefere sair da UE.

“Eu diria que, neste momento, a maioria das grandes empresas está a levar a sério esse risco”, afirmou Fairbairn, precisando que, desde que assumiu a liderança da CBI em Novembro último, quase 100 empresas começaram a preparar planos de contingência.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit para a Fundação Bertelsmann quatro em cada cinco empresários opõem-se à saída do Reino Unido da UE, e o mesmo se conclui junto dos empresários alemães.

No plano político, David Cameron continua a tentar melhorar os termos de um novo acordo. Segundo escreve o Politico, o primeiro-ministro cancelou um debate conjunto com os líderes dos partidos políticos com assento no Parlamento Europeu (PE) alegando “limitações de tempo”, mas ao longo da semana irá reunir-se com cada um deles separadamente, bem como com o presidente do PE, Martin Schulz.

As mudanças desejadas por Londres e consideradas aceitáveis pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, foram plasmadas num texto de 16 páginas, após longos meses de negociação e de diplomacia. Têm como objectivo tornar a UE mais palatável para os eleitores britânicos antes de um referendo sobre a possibilidade de permanecer na União é realizada ainda este ano. Eles incluem reformas em quatro áreas principais: a competitividade, a governação da Zona Euro, a soberania nacional e a possibilidade de impor limites aos benefícios concedidos aos migrantes da UE.

Este último tem sido o tópico mais polémico. O acordo proposto prevê a criação de um “mecanismo de salvaguarda” que, embora feito à medida das preocupações do Reino Unido, permitirá a todos os países da UE limitar o acesso de trabalhadores de outros países da União aos benefícios sociais até um período de quatro anos. Segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a duração do mecanismo será limitada no tempo, pois essa é uma característica crucial de um mecanismo de salvaguarda, necessária para o tornar compatível com os tratados da UE”, e “será aplicado em casos excepcionais, tal como todas as derrogações às quatro liberdades dos Tratados devem ser utilizadas”.

Fonte: Negócios

Comentários

comentarios

error: Segurança, acima de tudo! ;)