Qual a diferença entre cash flow e lucros e porque razão os analistas e gestores dão mais ênfase ao cash flow do que por vezes ao lucro gerado pelas empresas? Esta é uma importante questão que apesar de simples deve ser analisada com algum cuidado.

Por vezes ouve-se dizer que uma empresa que apresentou resultados líquidos bastante positivos está com problemas financeiros, nomeadamente a nível de tesouraria, e custa-nos a acreditar. Mas de facto é verdade, o lucro contabilístico é um indicador falível. Porquê?

É falível porque tem em conta no seu resultado, receitas que de facto ainda não aconteceram. Num simples exemplo, uma empresa pode ter vários milhões de lucro em virtude de boas vendas, no entanto os seus cliente podem falir e não pagar, e esse empresa apesar de apresentar lucros de milhões, tem que fechar portas. O lucro representa portanto o momento da facturação, não indica se o valor da venda foi efectivamente recebido ou não, por isso mesmo é de certa forma igualmente manipulável de acordo com os interesses da própria empresa.

É neste âmbito que surge o conceito de cash flow (em português denomina-se fluxo de caixa), que como o próprio nome indica, não tem em conta movimentos contabilísticos como o lucro, mas sim a movimentação de dinheiro (cash) da empresa, quer naturalmente este seja de saída ou entrada na empresa. Assim, com este indicador de desempenho, é possível ver o dinheiro que a empresa gera, e fazer uma análise muito mais rigorosa sobre a empresa. Assim vemos por exemplo que se uma empresa tiver lucros fabulosos, mas fluxos de caixa baixos ou negativos, quererá dizer que os clientes desta empresa estão em falta. No sentido inverso, uma empresa com baixos lucros e com fluxo de caixa bastante positivos, pode significar que a empresa recebe mais rapidamente dos seus clientes do que paga aos seus fornecedores, levando a ciclos de cash flow positivos.

Após esta análise se verifica a importância destes dois indicadores.

No entanto, seria falacioso dizer que apenas o cash flow interessa, porque como é em cima referido, o cash flow só tem em conta a movimentação do dinheiro, nada mais.

Uma questão importante a notar é o momento temporal do movimento, enquanto que o lucro contabilístico tem em atenção o momento em que a transação é feita, o cash flow só é contabilizado no momento em que o dinheiro se movimenta. Isto pode representar por exemplo, que uma venda realizada no final de 2010, mas com prazo de pagamento de dois meses (a ser feito em 2011) será contabilizada para a determinação do lucro de 2010 e para o cash flow só será contabilizada para o período de 2011. Este facto pode levar a discrepâncias na análise, pelo que toda a comparação simples e directa entre lucro e cash flow será uma comparação naturalmente míope.

É importante para fazer a comparação conhecer a empresa em questão, conhecer a sua politica de vendas, se opta por pagamento faseados, a crédito, que tipo  de desconto efectua, etc. Até porque como o exemplo demonstra, por vezes faz mesmo parte da estratégica da empresa a concessão de uma maior liberdade a nível de pagamento, para fomentar o seu aumento, o que fará o seu lucro tendencialmente aumentar, mas o resultado dessas vendas em termos de cash flow só ser visível em períodos posteriores.

Assim, podemos concluir que é importante ter em conta o lucro contabilístico assim como não esquecer uma análise a nível de cash flows da empresa, sem no entanto nunca esquecer os diferentes condicionalismos que cada destes parâmetros de avaliação de período da empresa tem.

Fonte: Créditos € Finanças

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2016-12-01T15:39:07+00:0016/02/2011|Categorias: Geral|0 comentários
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