Até Agosto, foram devolvidos quase quatro mil cheques sem cobertura, o que dá uma média de mais de 16 por dia.

O número de cheques devolvidos por falta de provisão em bancos angolanos aumentou para mais de 16 por dia, de acordo com os dados do Banco Nacional de Angola (BNA) relativos aos primeiros oito meses do ano.

Até Agosto, o sistema bancário angolano contabilizou mais de 11 mil cheques devolvidos, dos quais 3.924 por falta de provimento. O valor dos cheques ‘carecas’ totalizou 14,7 mil milhões de kwanzas (80 milhões de euros).

Na contabilização anterior, tinham sido registados 5.741 cheques devolvidos até Abril, dos quais 1.761 por falta de provimento, no valor total de 7,2 mil milhões de kwanzas (38,9 milhões de euros) em cheques sem cobertura, equivalente a 14 por dia.

Angola vive uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que motivou uma descida para menos de metade nas receitas fiscais com a exportação de petróleo em 2015, e por consequência na entrada de divisas no país, condicionando toda a atividade económica.

Em todo o ano de 2014, foram devolvidos 7.664 cheques sem provisão que chegaram aos bancos, ascendendo a 17,5 mil milhões de kwanzas (94,6 milhões de euros). Esse total cresceu para 9.603 cheques ‘carecas’ em todo o ano de 2015, representando 18 mil milhões de kwanzas (97,9 milhões de euros).

Divisas em mínimos do ano

A injeção de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na banca comercial caiu praticamente 65% na última semana, regressando a mínimos do ano, depois de máximos do ano atingidos em setembro.

O relatório semanal do BNA revela que foram vendidos 138,1 milhões de euros no período entre 19 e 23 de setembro, contrastando com os 387,2 milhões de euros e 314,6 milhões de euros das semanas imediatamente anteriores.

Segundo o documento, consultado pela agência Lusa, as divisas disponibilizadas – mantêm-se exclusivamente em euros desde março -, em vendas diretas equivalentes a 154,3 milhões de dólares, destinaram-se a cobrir, operações de ministérios e de organismos do Estado (49,6 milhões de euros) e de necessidades de empresas (60 milhões de euros).

Foram ainda disponibilizados 29,9 milhões de euros para cobertura das operações do setor de energia e águas e 15 milhões de euros para o setor petrolífero.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada ao final da última semana, permaneceu inalterada, nos 166,717 kwanzas por cada dólar e nos 186,271 kwanzas por cada euro.

Contudo, no mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, a nota de um dólar continua a ser transacionada acima dos 520 kwanzas.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica com a forte quebra (50%) das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade e a revisão do Orçamento Geral do Estado de 2016.

A conjuntura nacional levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando as importações.

A falta de divisas dificulta ainda a transferência de salários dos trabalhadores expatriados, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

Fonte: Dinheiro Vivo

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2016-12-01T15:37:39+00:0028/09/2016|Categorias: Internacional|Tags: , |0 comentários
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