Com as margens esmagadas, associadas à queda histórica do consumo e à concorrência, a maioria das petrolíferas defende que não há espaço para descidas substanciais.

Os combustíveis simples chegam, sexta-feira, aos postos de abastecimento nacionais envoltos em polémica e com as petrolíferas a recusarem revelar a futura estratégia comercial.

Aprovada no Parlamento por unanimidade, a medida não convence os operadores e ameaça defraudar as expectativas dos automobilistas que esperam uma quebra abrupta dos preços da gasolina e do gasóleo.

A própria Autoridade da Concorrência (AdC), que durante anos fiscalizou o mercado, tendo avançado com um conjunto de recomendações para reforçar a concorrência, mostra-se céptica quanto aos resultados. Uma posição que contrasta com a do Governo.

O que muda então? O novo diploma obriga os operadores a disponibilizarem, em todos os postos, combustíveis simples, ou seja, sem quaisquer aditivos. Na prática, garante-se que este combustível será igual nos hipermercados Continente ou Intermarché, assim como nas estações da Galp, BP ou Repsol.

Não só não haverá diferença no produto base, como torna mais compreensível o preço de referência dos combustíveis, um conceito criado por este Executivo e que é publicado diariamente pela Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis.
O preço de referência equivale ao valor do combustível à saída da refinaria, não incluindo assim os custos com posterior armazenagem e transporte, incorporação de biocombustível (obrigatório por lei) e os encargos com a actividade retalhista. Uma panóplia a que acresce a carga fiscal: ISP e IVA.

Esta última parte da cadeia de valor, onde está incluída a margem de comercialização dos operadores, tem estado nos últimos anos sob forte pressão devido, em grande parte, à proliferação das marcas brancas e ao aumento de quota dos hipermercados, os quais controlam hoje mais de 30% do mercado.

Prova disso, é o actual diferencial entre o preço de referência e o valor final praticado por hipermercados e petrolíferas. No primeiro caso, ronda os oito a dez cêntimos por litro, enquanto entre os operadores tradicionais oscila entre 17 e 18 cêntimos.

Uma amplitude que acaba por, praticamente, se anular, já que todas das petrolíferas disponibilizam aos consumidores cartões de fidelização que asseguram diversos tipos de descontos, chegando a atingir 15 cêntimos.

Com as margens esmagadas, associadas à queda histórica do consumo, a maioria das petrolíferas defende que não há espaço para descidas substanciais adicionais e que terá custos de infra-estrutura para acomodar o novo combustível.

O grande receio das companhias está, no entanto, na canibalização de gamas de produtos, como a transferência de consumo dos seus produtos ‘premium’, onde têm mais lucro, para os combustíveis simples, comprometendo o negócio das marcas.

Isso mesmo deixou claro o presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, na entrevista ao Diário Económico, a passada semana, admitindo mesmo um possível cenário de litígio judicial.

Fonte oficial da Galp voltou ontem a frisar que considera a obrigatoriedade de introdução dos combustíveis simples como uma interferência injustificada num mercado que é reconhecido como concorrencial por todas as instituições que o analisaram, incluindo todas as entidades de supervisão.

O cepticismo é assim reinante, com o presidente da AdC, António Ferreira, a assumir, durante a última audição na Assembleia da República, que “não se antecipa que a legislação possa ter um impacto importante ao nível dos preços de venda ao público, porque não terá um efeito directo nos custos de exploração dos postos convencionais”.

Fonte: Económico

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2015-06-14T15:49:38+00:0014/04/2015|Categorias: Portugal|Tags: , , , |0 comentários
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