As últimas estimativas do FMI apontam para que o Império do Meio continue a crescer 10% por ano até 2015. Veja como pode colocar a sua carteira na rota dos ganhos chineses sem cair em armadilhas.

Por ocasião do Fórum Mundial de 2005, organizado pela revista norte-americana “Fortune” sob o lema “A China e o Novo Século Asiático”, Hu Jintao, presidente da República Popular da China, fez um discurso na Praça Tienanmen, em Pequim, na presença dos representantes máximos de 77 das maiores multinacionais, deixando claro o futuro do país: “A China e a Ásia estão a transformar-se no novo motor do crescimento mundial”. Mas o chefe do Estado e do Partido Comunista chinês foi mais longe: “Dentro de 15 anos, o nosso PIB terá quadruplicado e conseguiremos ter um rendimento ‘per capita’ de 3.000 dólares”, recorda Federico Rampini no livro “China e Índia: As duas grandes potências emergentes”. Hoje, o rendimento por cada chinês é de 6.778 dólares e no espaço de cinco anos deverá quase duplicar para os 12.449 dólares, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O optimismo de Hu Jintao não era para menos dado que, entre 1995 e 2005, o PIB chinês cresceu a uma média anual de 9%. Isto significa que, no espaço de uma década, a economia do “Império do Meio” mais que duplicou de valor. E, de acordo com as últimas estimativas do FMI, essa tendência não deverá abrandar, pelo menos até 2015, com a economia chinesa a registar taxas de crescimento anuais médias de 9,7%, enquanto a zona euro e os EUA não deverão crescer, anualmente, mais de 1,7% e 2,7%, respectivamente, nesse período.

Os motores do crescimento do Dragão
A China já não é só a “fábrica do planeta”. É também um forte ‘player’ na política monetária da zona euro e dos EUA e o principal “jogador” do comércio internacional. “O contributo chinês para o crescimento mundial é garantido pelo facto de Pequim ter a economia mais aberta de todas: entre as exportações e importações, 75% do seu PIB está ligado ao comércio externo, cinco vezes mais do que na Europa e nos EUA”, recorda Rampini.

A revista britânica “The Economist”, na edição de 28 de Julho de 2005, escreveu que “das ‘t-shirts’ às ‘t-bonds’ [títulos do Tesouro norte-americano] é, cada vez mais, Pequim e não Washington quem toma as decisões fundamentais para o futuro dos trabalhadores, das empresas e dos mercados financeiros no resto do mundo. A China é a protagonista que está por detrás de quase todos os eventos da economia mundial”. O artigo foi escrito há cinco anos mas bem podia ter sido publicado na última edição da revista, dada a actualidade dos factos em redor da última “guerra cambial” encabeçada pela China e do destino actual das exportações chinesas: se, em 2006, 23% da produção de bens chineses tinha como destino os EUA, agora a “China exporta mais para os países emergentes do que para o conjunto do G7”, lembra Allan Conway, gestor do fundo de investimento Schroder BRIC.

Mas não têm sido só as exportações a alimentar o Dragão chinês. Grande parte do crescimento da economia foi suportado por uma estimulante procura interna que, de acordo com um relatório do Crédit Suisse First Boston, aumentou, em média, 18% por ano, entre 1995 e 2005. O governo de Hu Jintao tem uma noção bastante clara do impacto que o consumo interno tem sobre PIB, não fosse a China o país mais populoso do mundo com mais de 1,3 mil milhões de cidadãos. É nesse sentido que as autoridades têm vindo a encorajar a procura interna por via de várias iniciativas, como é o exemplo da prática de reduções fiscais para veículos com motores reduzidos e a despesa em obras públicas.

Os especialistas do banco Crédit Suisse First Boston não têm dúvidas em afirmar que, até 2015 “os consumidores chineses vão substituir os americanos como principal motor da procura económica global”, ao tornarem-se num mercado de 3.700 mil milhões de dólares e muito mais aberto aos produtos estrangeiros.

A China para investidores nacionais
Em mandarim, a palavra “crise” é escrita por dois caracteres: um representa o perigo e outro representa a oportunidade. É também assim que o mercado de capitais chinês pode ser classificado pelos investidores.

É verdade que as taxas de crescimento da China são excitantes, sobretudo quando a Europa, e em particular Portugal, revelam uma grande dificuldade em sair da crise. Mas para lucrar com esse crescimento não é tão simples como comprar a versão chinesa da EDP ou da Portugal Telecom. Desde logo porque o grau de informação disponível sobre as empresas chinesas não é o mesmo que o de uma companhia europeia ou norte-americana. E depois, porque o acesso ao mercado accionista chinês não é o mais fácil do mundo, sendo apenas acessível aos pequenos investidores por via dos ‘american deposit receipts” (ADR), certificados de depósito negociados numa bolsa dos EUA que representam uma acção, uma fracção ou um conjunto de acções de empresas de outra nacionalidade que não norte-americana. Por essa razão, o caminho mais sensato para a maioria dos investidores que desejem apostar no “Império do Meio” passe pela via dos fundos, deixando a selecção de activos para os especialistas. Todavia, antes de tomarem qualquer decisão, é importante que os investidores ponderem os riscos associados a este investimento. A começar pelo perfil da estratégia do fundo, que pode ser mais ou menos arriscado, e vão até aos riscos associados ao próprio país, como é o caso da existência de uma eventual “bolha” no sector imobiliário chinês, por exemplo. Contudo, Martha Wang, gestora do Fidelity China Focus, prefere relativizar esse medo. Na ‘newsletter’ da casa de investimento norte-americana de Maio, a especialista refere que acredita “que esteve a formar-se uma bolha em algumas áreas como resultado dos estímulos governamentais no último ano mas a resposta política do governo tem sido preventiva e deverá parar qualquer bolha antes que saia fora de controlo”.

Fonte: Económico

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2010-10-24T19:13:20+00:00 24/10/2010|Categorias: Internacional|0 comentários
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