O acordo nuclear entre o Irão e seis potências mundiais já é considerado um dos momentos diplomáticos mais importantes dos últimos anos. O compromisso, anunciado a 14 de julho, marcou também o regresso das fortes descidas do petróleo. Uma quebra tão grande que poderá ser a maior dos últimos 45 anos, diz um dos maiores bancos de investimento do mundo, o Morgan Stanley. E que pode prolongar-se e ser pior do que crash de 1986.

O petróleo brent está hoje a ser negociado a 54 dólares o barril, uma quebra de 50% desde o verão de 2014. “E a descida dos preços vai ser mais acentuada”, uma vez que, com o fim do embargo, o Irão vai produzir e exportar mais, prevê António Costa e Silva. O presidente da Partex espera que o crude se situe num intervalo entre “os 55 e os 60 dólares” o barril até ao final de 2016.

O acordo nuclear é apenas uma das peças que explica o tombo no petróleo, que está a metade (49%) do preço registado há um ano. O arrefecimento da economia mundial, nomeadamente na China, e a guerra pela liderança do mercado entre o cartel da OPEP (com a Arábia Saudita como “cabecilha”) e os EUA são outros fatores.

“Quer a Arábia Saudita quer os EUA estão a aumentar a produção”, diz o também professor do professor do Instituto Superior Técnico (IST). Os sauditas, que apenas precisam de 5 dólares para extrair um barril de crude, querem eliminar a concorrência norte-americana, responsável pelo petróleo de xisto betuminoso, mais caro de produzir.

Os Estados Unidos, ainda assim, não param de extrair cada vez mais crude. “Fecham os poços mais caros e abrem poços mais caros conforme as necessidades. 30% dos poços são responsáveis por 70% da produção da região”, descreve o líder da Partex. “O problema para os sauditas é muito complicado do que eles pensavam inicialmente”.

O arrefecimento da economia mundial também está a incentivar a descida dos preços. Com o FMI a rever em baixa, em julho, a previsão de crescimento do mundo de 3,5% para 3,3% para 2015, há menos procura por petróleo, sobretudo de países como a China, o segundo maior consumidor mundial.

A forte descida do petróleo prejudica sobretudo os países produtores. Angola tem sido um dos países que mais têm sofrido. Com a forte descida das receitas, já foi obrigada a apresentar um orçamento retificativo, que cortou em mais de metade (54%) o investimento público. O clima económico também piorou, com as remessas dos emigrantes portugueses, por exemplo, em mínimos de setembro de 2011.

Portugal, como importador, pode beneficiar do atual cenário de queda do petróleo.

“Cada 10 dólares de descida representam um ganho de 0,2% no PIB português”, lembra António Costa e Silva. Benefício “que pode ser bom em tempo de eleições e ajudar o Governo que está em funções”.

O aparente ganho para a economia “deverá levar ao aumento do consumo”. Mas o líder da Partex receia que haja um “efeito cascata”, que “pode causar um aumento descontrolado do consumo”. E a partir daí podemos assistir a um “desequilíbrio da balança comercial”. Espero “que Portugal tenha aprendido com as lições do passado”.

Fonte: Dinheiro Vivo

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2015-07-27T07:31:06+00:0027/07/2015|Categorias: Internacional|Tags: , , , |0 comentários
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