O “buraco” orçamental grego ainda não parou de crescer. Afinal, o défice de 2009 terá sido de 15,4%. É a terceira vez que o número é revisto em alta.

O último valor, hoje divulgado pelo Eurostat, é significativamente superior aos 13,6% que constavam do último reporte de Atenas, o que exigirá mais austeridade para cumprir a meta de 7% assumida para 2011.

A revisão em alta resulta de mais uma série de falhas no apuramento estatístico do perímetro da responsabilidade financeira do Estado, que fez com que diversas entidades tivessem de ser reclassificadas como públicas, com impacto no valor do défice e da dívida do Estado. Também a dívida pública foi revista em alta, de 115% para 126,8% do PIB.

Com os novos valores do Eurostat, a Grécia passa a ser o país europeu que em 2009 teve o maior défice, ultrapassando os 14,4% da Irlanda, e o que exibiu simultaneamente a mais elevada dívida pública, que fica agora acima do “recorde” de 116% de Itália.

Para 2010, o défice agora estimado é de 9,4% – superior aos 7,8% prometidos por Atenas à comunidade internacional – e a dívida é de 144%.

Em reacção, o Governo grego sublinha que, após esta revisão, o Eurostat “validou em definitivo” os números das contas públicas gregas, pondo um ponto final num processo iniciado em Janeiro, altura em que responsáveis do gabinete europeu de estatística passaram a residir em Atenas para passar a pente fino as estatísticas do país, que haviam sido grosseiramente manipuladas ao longo de anos.

Em comunicado enviado às redacções, o ministério grego das Finanças garante que, não obstante o ponto de partida revelar agora uma situação financeira do Estado ainda mais degradada, “a consolidação orçamental vai ser prosseguida, de acordo com o quadro e as metas acordados no âmbito do programa de ajuda financeira económica, acordado com a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional”.

Isso significa que a dose de austeridade prevista para este ano e 2011 terá de ser intensificada, esperando-se que novas medidas sejam anunciadas nesta quinta-feira, altura em que a proposta de Orçamento para o próximo ano será apresentada ao Parlamento

O primeiro-ministro grego, George Papandreou já descartou a possibilidade de novas medidas que afectem salários e pensões.

Fonte: Negócios

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2010-11-15T12:10:09+00:00 15/11/2010|Categorias: Internacional|0 comentários
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