A reforma da Lei de Propriedade Intelectual, aprovada definitivamente esta quinta-feira pelo Congresso espanhol, consagra, entre outras medidas, o direito de as empresas editoras serem compensadas economicamente pelos agregadores de conteúdos e motores de busca pelo seu uso, uma compensação que será irrenunciável.

A partir de 1 de janeiro de 2015, sites como o Google News ou blogs que citem notícias serão obrigados a pagar uma taxa, às fontes das notícias, se quiserem usar links para as notícias citadas. Ou seja, fazer isto em Espanha paga taxa.

Segundo os editores e defensores da medida, a taxa não tem como objectivo atingir os motores de busca (“contra os quais não têm nada”), mas sim os agregadores de notícias como o Google News, que “funciona na prática como um super-editor”.

Ao mesmo tempo, os editores contratam especialistas para optimizar o seu posicionamento nos motores de busca – em particular, no próprio Google – e aumentar o tráfego que deles recebem.

Algo como querer ter visitas na eira e utilizadores no nabal.

Carteiristas da informação

No mesmo dia em que o Congresso aprovou a reforma da Lei de Propriedade Intelectual, o movimento Anonymous atacou o site da Associação de Editores de Diários Espanhóis, que classifica de “carteiristas da informação“.

“Se pensais, carteiristas da informação, que, com a aprovação da norma por parte dos vossos amigos do corrupto Partido Popular, vão acabar com uma Internet livre e ao serviço dos cidadãos, não nos conhecem”, referiu o movimento Anonymous, na mensagem colocada no site da AEDE.

Numa tarja, de cor verde, a mensagem intitulada “O 9 de Anonymous” dizia ainda que “nem os diários ao serviço da corrupção institucionalizada vendidos” conseguirão acabar “com uma rede livre”.

“Os vossos advogados e mercenários tentaram proteger-vos de nós, mas nós somos uma ideia, não combatemos por um salário”, acrescentava o texto, ilustrado com uma imagem de um soldado, com um sinal de interrogação na cara.

Na mensagem, o Anonymous deixou ainda um aviso: “Nunca estaremos longe dos vossos refúgios, servidores e painéis de controlo e documentos (dos quais já fizemos uma bonita cópia)”.

A agência noticiosa espanhola (Efe) tentou obter uma reação da AEDE junto da sede madrilena da associação, que desconhecia o ataque à sua página na Internet, que não exibe já a tarja da Anonymous.

Fonte: Lusa

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