Milhar e meio de empresas fecharam portas nos cinco distritos do Norte do país nos oito primeiros meses do ano. Se a esta cifra juntarmos as insolvências verificadas em Aveiro (332), Viseu (98) e Guarda (29) em igual período de tempo, o número de falências ascende a cerca de duas mil, quase o dobro das verificadas nos oito distritos em homólogo período do ano passado (cerca de 1300).

Segundo estudo divulgado pela Coface Portugal, o todo nacional assistiu, entre Janeiro e Agosto deste ano, ao encer-ramento de 3530 empresas.

A única excepção vai para o distrito de Bragança, que viu baixar o número de insolvên cias de 19 (em 2009) para 13 (este ano), constituindo, mes-mo, caso único no continente e regiões autónomas. Em termos percentuais, o distrito de Viseu foi, na região, o mais afectado, tendo o número de insolvências aumentado 69 por cento, passando de 58 empresas encerradas em 2009 para 98, este ano.

Em termos absolutos, Braga lidera o rol, com 571 acções de insolvência nos primeiros oito meses do ano. Mais só Porto (859) e Lisboa (665). Para o director-geral da Associação Comercial de Braga, Abílio Vilaça, “faltam respostas” para o dilema por que muitos empresários e trabalhadores estão a passar.

“Não havendo respostas estruturadas a este nível, é claro que as empresas fecham”, asseverou, apontando, ainda, um outro indicador: “Esta é uma região fortemente deprimida e com uma taxa de desemprego elevadíssima e sem dinheiro. Logo, não há estimulação no comércio, e o resultado disto tudo significa o encerramento de muitas lojas”.

“Está tudo a fechar e não é só aqui”, disse a dona Maria, proprietária de um estabelecimento comercial que apresenta na montra da loja, para além dos inúmeros artefactos para “inglês ver”, um letreiro, em letras garrafais, “Passa-se”. Esta é a realidade de muitas lojas do distrito de Braga, numa espécie de morte anunciada. O cenário não é diferente junto das empresas instaladas na tão prometida “Silincon Valley”.

Um estudo da Coface aponta para 571 acções de insolvências no distrito de Braga, apenas ultrapassado pelos distritos do Porto, que lidera o ranking com 859 insolvências, e Lisboa, 665. “Isto significa que há duas empresas a fechar por dia útil. É um sinal da falta de competitividade da economia”, afirmou ao JN António Marques. O líder da Associação Industrial do Minho lamentou profundamente esta situação e no que concerne ao distrito, António Marques há muito que alertou as instituições governamentais para a “nulidade” das políticas para as Pequenas e Médias Empresas (PME”s). “Dou-lhe este exemplo. 99,8 por cento das empresas portuguesas têm em média menos de 100 trabalhadores, apenas 900 empresas estão fora deste panorama. São empresas que não têm músculo financeiro, que não estão capitalizadas e não têm, muitas delas, estrutura para a internacionalização. O governo não desenhou políticas para esta realidade”, lamentou António Marques, face a estes números.

Também Abílio Vilaça, da Associação Comercial de Braga, lamentou os números e apontou “falta de estratégia” para aquilo que classifica como o “parente pobre” da economia, ou seja, o pequeno comerciante. “Lembro que estamos na região que mais ardeu nos últimos seis anos e sem qualquer plano estratégico de recuperação. Na Madeira houve apoios face aos problemas com o mau tempo, à semelhança do que é feito com os agricultores que têm um seguro de colheitas. No Algarve existiu uma forte campanha em torno do Allgarve e aqui houve este problema dos incêndios e não houve qualquer cuidado em recuperar a região”.
Mas entre os proprietários das lojas, daquelas que ainda vão sobrevivendo e que foram vendo partir os vizinhos, apontaram outras “chinesices” responsáveis pelo fim da pujança comercial. “Amigo, desde que os chineses vieram para cá que isto acabou. Há lojas a mais para as poucos pessoas que há a comprar e a isto tudo temos que juntar uma realidade que ninguém quer ver. Somos pobres e ponto”, disse a comerciante Maria Gonçalves, que juntamente com Américo Araújo, dono de uma loja de arranjo de calçado, sinalizou outro problema. As grandes superfícies comerciais absorvem o pouco dinheiro que resta na carteira dos cidadãos do distrito.

“São lojas estrangeiras que nada ajudam à dinamização do nosso comércio. Nem sempre com a mesma qualidade do produto português”, apontou Américo Oliveira que há porta da loja, em plena zona pedonal no centro histórico de Braga, vê cada vez menos gente com “coragem” de entrar num estabelecimento comercial. “A chuva também não ajuda”, gracejou, denotando a falta de soluções autárquicas para adaptar a realidade da cidade às reais necessidades dos comerciantes.

Fonte: Salteadores da Arca

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2016-12-01T15:39:11+00:0021/11/2010|Categorias: Estatística|0 comentários
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