Pagamento sem atrasos da Função Pública representaria mais 3,2 mil milhões de euros para a economia

O Estado português demora, em média, 141 dias para pagar aos seus fornecedores. Os dados são do estudo da Intrum Justitia, revelados esta terça-feira, e colocam o Estado como o pior pagador a nível nacional.

Se a Administração Pública pagasse a tempo e horas, a economia nacional ganharia mais 3,2 mil milhões de euros.

«Depois, o efeito é de uma bola de neve», com os sectores da construção e da saúde como «os mais afectados» explicou o presidente da Intrum Justitia Ibérica, Luís Salvaterra.

Sectores da construção e saúde: os piores pagadores

«Quem recebe mal, também paga mal. Há mesmo uma correlação matemática», explicou o responsável para justificar as dificuldades destes dois sectores para pagar a horas aos fornecedores.

Na construção, apenas 47% das facturas são pagas dentro do prazo médio (30 dias), ao mesmo tempo que a percentagem de incobráveis é de 3,4%, muito superior aos 2,6% da média da Europa.

Na saúde, a situação piorou no último ano: 48% das facturas são pagas fora do prazo, e a percentagem de incobráveis aumentou de 1,8% para 2,7%.

O cenário torna-se ainda mais negro quando se trata de pequenas e médias empresas, cuja exposição ao risco é maior.

Portugal é o pior pagador da Europa

Em Portugal demora-se, em média, 97 dias para que empresas privadas e públicas paguem as suas dívidas, um valor bem superior à média da União Europeia (52 dias).

De uma forma sucinta: «Portugal é o pior pagador da Europa, onde o período dos pagamentos mais aumentou». Além disso, «o valor dos incobráveis supera a média europeia» e os «atrasos do Estado estão acima da média da União», concluiu Luís Salvaterra.

Uma situação que tende agravar com a crise económica. «Em 2011, estes sectores vão continuar a ter dificuldades. Também os portugueses vão ter ainda mais dificuldades em pagar os seus créditos», alertou Luís Salvaterra.

Uma crise que já se reflectiu nos primeiros meses de 2010, com os sectores da engenharia, advocacia e imobiliária a verem crescer as suas facturas incobráveis.

«Também na educação, as coisas estão a piorar: o número de incobráveis aumentou, prova da crise. Exemplo disso mesmo, são os colégios e infantários que têm muitos clientes com contas por pagar», disse Luís Salvaterra.

Só em Portugal, o valor dos incobráveis atinge os 6.000 milhões de euros. Em termos europeus, ascende a 300 mil milhões, o equivalente à dívida pública da Grécia.

Para tentar colmatar esta situação, Bruxelas está a estudar a criação de uma nova directiva, prevista para entrar em vigor em 2013, para obrigar os Estados europeus a pagar dentro de 60 dias, com a cobrança de juros de mora automática.

Fonte: Agência Financeira

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2016-12-01T15:39:10+00:0014/12/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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