Famílias podem contar com poupanças no indexante mais usado nos contratos de crédito à habitação em Portugal.

-0,002%. A Euribor a seis meses, o indexante mais utilizado nos contratos de crédito à habitação, entrou ontem pela primeira vez em terreno negativo. O mesmo já tinha acontecido, em abril, com a taxa a três meses, também usada nos empréstimos para a compra de casa. Os primeiros efeitos da Euribor negativa, no entanto, só deverão ser sentidos a partir de dezembro, explica Filipe Garcia.

“A média do indexante, provavelmente, vai ser negativa em novembro”, o que vai ter impacto nos contratos com renovação da mensalidade em dezembro, indica o economista da IMF.

Filipe Garcia salienta, no entanto, que “já passou a grande diferença a nível financeiro” para as famílias. “Entre 2008 e 2010, a Euribor desceu de mais de 5% para 1,2%”. O que, num empréstimo de 100 mil euros, “poderia representar uma poupança mensal, em média, de 200 euros. Agora, a diferença é de 5 euros”, explica o especialista, contactado pelo Dinheiro Vivo.

“A Euribor abaixo de zero é um aspeto apenas simbólico. Significa que a pessoa passa apenas o pagar o spread nos empréstimos para compra de casa.”

Mais descidas a caminho?

O economista lembra que a descida das taxas Euribor em todos os prazos tem estado a acompanhar a expansão da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), sobretudo com o programa de compra de ativos, conhecido como alívio quantitativo (quantitative easing).

As últimas semanas têm ficado marcadas por declarações dos principais responsáveis do BCE, antecipando um alargamento deste mesmo programa, aprofundando a descida, por exemplo, da taxa de juro sobre os depósitos dos bancos, atualmente em -0,20%.

Os bancos, por imposição do Banco de Portugal, não podem aplicar o indexante negativo nos contratos de crédito à habitação. Ou seja, caso a Euribor seja negativa e o spread (margem de lucro do banco) for baixo, poderá acontecer o banco ter de ‘pagar’ o dinheiro emprestado pelo cliente, através do abatimento no capital em dívida.

As instituições não têm dado grandes detalhes sobre as alternativas nos créditos à habitação com esta situação nunca antes vista a nível europeu. Apenas o Montepio indicou que “tem procurado diversificar a utilização de outros indexantes” nos seus contratos.

Mas a entrada da Euribor em terreno negativo também acentua um outro efeito para os clientes. Aprofundou a descida das taxas de juro nos depósitos a prazo – estão neste momento, no prazoaté um ano, em 0,66%. Ter o dinheiro no banco acaba por render cada vez menos.

Os bancos têm, por isso, procurado outras alternativas de financiamento devido à menor rentabilidade dos empréstimos à habitação, como a aposta nos crédito pessoal e automóvel. Estes produtos apresentam taxas de juro maiores. Até ao final de agosto já tinham sido concedidos 3,17 mil milhões de euros em crédito ao consumo, mais 22,5% do que no mesmo período de 2014, de acordo com o Banco de Portugal.

Fonte: Dinheiro Vivo

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2016-12-01T15:37:46+00:0008/11/2015|Categorias: Portugal|Tags: , , , |0 comentários
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