2011 deverá ser um bom ano para venda destes produtos. Mobiliário contraria

As exportações de cortiça, pasta de papel e papel deverão crescer este ano, na perspectiva do presidente da Associação Florestal de Portugal (Forestis). No entanto, o mobiliário deverá deparar-se com algumas limitações devido às pragas que atacam o pinhal nacional.

«Acredito que as empresas ligadas à celulose aumentem as suas exportações e vão estar muito atentas em relação à inovação e ao mercado», disse à agência Lusa Carvalho Guerra.

A um dia de participar no Congresso das Exportações, no painel sobre Indústria Florestal, que decorrerá na terça-feira em Santa Maria da Feira, o presidente da Forestis identificou problemas no sector e defendeu a necessidade de aumentar a eficiência na produção nas três fileiras: sobreiro, eucalipto e pinheiro.

Por um lado, identificou que não há matéria-prima suficiente no caso das papeleiras, o que obriga à importação de eucalipto, por outro, alertou para as pragas que têm atacado os sobreiros e pinheiros.

«No caso do sobro, os maiores problemas são as pragas e o envelhecimento dos montados. Há que fazer todo um trabalho de aumentar a capacidade de utilização da cortiça para a rolha, mas também para outros materiais».

Mas é no mobiliário, que o responsável identifica o maior problema e necessidade de aumentar a capacidade exportadora, devido à praga do nemátodo que ataca os pinheiros e, logo, à falta de matéria-prima.

«Nós utilizamos imenso o pinheiro na construção civil. Mas o pinheiro vai começar a faltar se não atacarmos o problema do nemátodo com muita capacidade, o que não tem sido fácil fazer».

Carvalho Guerra disse que as zonas que arderam em 2003/2005 – «e correspondiam até então à área de maior crescimento florestal de pinheiro em toda a Europa» – ainda não estão todas plantadas, sublinhando a necessidade de «levar a sério» as replatanções, pois «só daqui a 20 ou 30 anos será possível tirar partido daquela madeira».

A floresta portuguesa representa três por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mais de 12% do PIB Industrial e cerca de 200 mil postos de trabalho directos. Este responsável quis frisar a importância do sector, defendendo ainda mais sensibilização nas escolas e maior intervenção na limpeza.

«Este é o ano internacional das florestas, devíamos tirar imenso partido disso e sensibilizar para a importância do combate aos incêndios na primeira meia hora, colocar folhosas nas bermas das estradas para evitar propagação e aumentar a penalização dos incendiários».

Quanto às zonas de intervenção florestal, defendeu que «é preciso» subsidiar e ao mesmo tempo avaliar: «As equipas gestoras das zonas de intervenção florestal têm de ter autoridade para trabalhar a sério e depois ser avaliadas. Quem se porta bem deve continuar a ser subsidiado e quem se porta mal não».

A Forestis conta atualmente com 31 Organizações Proprietários Florestais (OPF) associadas, que representam e apoiam tecnicamente mais de 12.000 proprietários florestais.

A sessão de abertura do Congresso das Exportações vai ser presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates. O evento tem como objectivo analisar a evolução do comércio internacional e a melhor forma de abordagem de novos mercados emergentes.

Fonte: Agência Financeira

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2016-12-01T15:39:07+00:0009/02/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
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