Falta de crédito e perspectivas macroeconómicas pessimistas deixam antever novos aumentos nos próximos meses

As insolvências não param de aumentar em Portugal. Nos primeiros nove meses deste ano o país registou 4.759 processos de insolvência. Desde o final de 2009 que a tendência de subida tem sido consistente.

Depois de se terem registado 1.464 casos no primeiro trimestre de 2010, o número subiu para 1.565 entre Abril e Junho e voltou a aumentar para 1.730 no terceiro trimestre, revelam dados da Credito y Caución.

De acordo com a análise feita pelos especialistas da Crédito y Caución, «as persistentes dificuldades de acesso ao crédito pelas Pequenas e Médias Empresas tem dificultado a sua gestão de tesouraria sendo um dos principais factores que estão na base de muitos processos de insolvência judicial», explica o relatório.

Olhando para o número registado entre Julho e Setembro, as falências aumentaram 37% relativamente ao período homólogo e 11% relativamente ao trimestre anterior. Este foi também o valor mais elevado dos últimos dois anos.

As conclusões do Departamento de Gestão de Risco da Crédito y Caución, que acompanha de perto os processos de insolvência publicados no Diário da República, mostram que «o aumento significativo dos níveis de insolvência empresarial teve início no primeiro trimestre de 2009, chegando a superar um milhar de processos trimestrais».

Tendência aponta para novos aumentos daqui para a frente

E o pior, garante, é que «todos os indicadores deixam antever a manutenção desta tendência nos próximos períodos».

Nesta conjuntura, a empresa considera que «o seguro de crédito é um instrumento que oferece algumas soluções orientadas para garantir a liquidez das empresas seguradas, nomeadamente através da antecipação do adiantamento das indemnizações subjacentes à apólice». A Credito y Caución é, recorde-se, uma empresa especializada em seguros de crédito.

«Tendo presente estes dados concretos de crescimento sistemático e agravado dos níveis de insolvência, as duras projecções macroeconómicas das principais entidades nacionais e internacionais para a evolução da economia portuguesa e a grande incerteza relativamente ao final de 2010 e 2011, realçamos a extrema importância das empresas aumentarem a vigilância do risco, analisando os riscos comerciais associados a cada um dos clientes. Uma análise rigorosa dos limites de crédito que devem ser atribuídos em cada caso, será seguramente um instrumento que protegerá as empresas de uma perda por eventual situação de insolvência do cliente» salienta o director da Crédito y Caución para Portugal e Brasil, Paulo Morais.

Sector dos serviços responsável por um terço das falências

Cerca de um terço dos processos de insolvências continuam a envolver empresas directamente relacionadas com o sector dos serviços, onde se deu um aumento trimestral de 18%. O segundo sector mais afectado é o da Construção, que diminui 11%, seguido do sector Têxtil e da Alimentação/Distribuição, que registam crescimentos em torno dos 10 e 33% respectivamente.

A análise trimestral da Crédito y Caución regista uma recuperação em nove sectores e o aumento das insolvências em oito. Em comparação com o segundo trimestre, a maior intensidade foi registada no sector dos Electrodomésticos que duplicou o número de processos de insolvência, Instalações (aumento de 71%) e Brinquedos (aumento de 57%). Em contrapartida, os sectores que registam uma melhoria significativa são os das Máquinas e Ferramentas que reduziu para metade o número de insolvências, Peles e Curtumes (48%) e Electricidade (46%).

Fonte: Agência Financeira

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2016-12-01T15:39:14+00:00 13/10/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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