A indústria dos fundos de investimento conta já com 40% dos activos financeiros. Um forte peso que acarreta muitos riscos para o mercado, diz o FMI. Por isso, a supervisão deve ser melhorada.

A indústria dos fundos de investimento continua a crescer. Tem já sob gestão 40% dos activos financeiros, numa transição do financiamento da banca para as gestoras de activos. Uma grande dimensão que, apesar de benéfica para os investidores, acarreta diversos riscos à estabilidade financeira, defende o Fundo Monetário Internacional (FMI). Por isso, a supervisão deve ser melhorada.

“Nos últimos anos, a intermediação de crédito tem vindo a mudar da banca para o sector não financeiro, incluindo a indústria da gestão de activos”, nota o FMI, no seu último Relatório da Estabilidade Financeira. As gestoras de activos já somam 76 biliões de dólares (cerca de 70 biliões de euros) de activos sob gestão, ou 100% do PIB mundial. Uma evolução que, apesar dos benefícios – como a mais fácil diversificação de activos -, representa também algumas ameaças.

O FMI aponta para os problemas espoletados com as decisões de investimento sob a responsabilidade dos gestores. “Os investidores não podem observar directamente as acções diárias dos gestores ou as suas capacidades e, por isso, oferecem incentivos para que ajam pelos seus interesses”, aponta a instituição liderada por Christine Lagarde. Algo que, lê-se no relatório, “pode levar a várias dinâmicas de negociação com potenciais implicações sistémicas, como o ‘efeito manada’ ou a tomada excessiva de risco”.

“As fáceis opções de resgate podem criar riscos de uma saída em massa”, atira também o FMI, explicando que o receio de que poderão estar a esperar demasiado tempo, avolumando as perdas, poderá espoletar este movimento. Com o crescente peso das gestoras de activos, “uma grande venda por fundos poderá colocar uma significativa pressão sobre os preços dos activos, afectando potencialmente todo o mercado”.

Mas os desempenhos são também afectados pelos próprios investidores. “O investimento dos fundos evolui consoante as decisões dos investidores (através dos fluxos) e dos gestores de activos (com o reequilíbrio das carteiras”. Por isso, segundo a análise do FMI, 30% da aposta dos fundo é da responsabilidade dos investidores, variando com factores de curto prazo, como fortes valorizações recentes e períodos de stress no mercado.

Melhorar a supervisão

Devido aos riscos existentes, a instituição defende uma maior supervisão, com a actual a pecar por incompleta. E o primeiro passo seria a identificação dos fundos que, devido à sua dimensão, representam um risco sistémico. Mas também “as normas-chave devem clarificar a definição de activos líquidos”, acrescenta o FMI, de modo a corresponder com o perfil de cada fundo. Já os reguladores, por seu lado, “devem monitorizar regularmente as condições do mercado e reavaliar se a base da gestão de risco dos fundos é suficiente”. Além de que devem ter a capacidade de realizar testes de stress e, assim, poder desafiar as práticas dos gestores de activos.

Como o problema é global, o FMI deixa uma sugestão. “Os padrões e as orientações internacionais para uma melhor supervisão devem ser significativamente expandidos e melhorados”, defende a instituição, salientando a importância da partilha de práticas relativamente ao risco de liquidez. E conclui: “O FMI pode desempenhar aqui um papel importante, devido à sua experiência no desenvolvimento de indicadores comuns de solidez financeira e de padrões para os testes de stress à banca”.

Fonte: Negócios

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2016-12-01T15:37:51+00:00 12/04/2015|Categorias: Internacional|Tags: , , |0 comentários
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