O Executivo liderado por Alexis Tsipras obrigou as entidades de governo locais a depositarem todas as suas reservas no banco central do país, citando “necessidades extremamente urgentes e imprevistas”.

 

As entidades públicas locais da Grécia, como municípios e outras entidades regionais, vão ter que depositar as respectivas reservas no banco central do país, de acordo com uma lei aprovada pelo Executivo liderado por Alexis Tsipras.

“Os governos das entidades públicas são obrigadas a depositar as reservas em dinheiro e transferir os seus fundos em depósitos para as suas contas no Banco da Grécia”, refere o decreto presidencial publicado esta segunda-feira, 20 de Abril, de acordo com a Bloomberg.

O Governo grego justifica o procedimento devido às “necessidades extremamente urgentes e imprevistas”.

Esta medida surge numa altura em que persiste o impasse em torno das negociações entre Atenas e os credores, que impede o país de receber financiamento adicional por parte dos parceiros europeus e do FMI (7,2 mil milhões de euros).

Os cofres públicos de Atenas estão praticamente vazios e aproxima-se a data de mais um reembolso de um empréstimo ao FMI. A 12 de Maio Atenas tem previsto um pagamento de 770 milhões de euros ao FMI e antes, a 1 de Maio, tem um desembolso de menor dimensão (203 milhões de euros).

Este decreto presidencial assenta numa lei que data de 1951 e sugere que a capacidade de a Grécia de sustentar a si mesma está a chegar aos últimos limites.

O Governo grego tem revelado grande dificuldade em apresentar um programa de reformas que possa ser considerado suficientemente concreto, credível e abrangente pelas entidades a quem pede mais financiamento – parceiros da Zona Euro e FMI.

Também Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), considera que a solução para a crise grega está nas mãos do Executivo de Alexis Tsipras. “Todos queremos que a Grécia tenha sucesso. A resposta está nas mãos do Governo grego”, afirmou Mario Draghi em Washington, no sábdo, no âmbito dos Encontros da Primavera do Banco Mundial e do FMI.

O presidente do BCE também pediu mais informação ao governo grego, e exigiu que Atenas esteja atenta ao “impacto orçamental” das suas propostas. Draghi recusou especular sobre uma situação de incumprimento por parte da Grécia, que poderia levar a uma saída da Zona Euro, mas sublinhou que esta se dotou de instrumentos para o risco de contágio que “seriam utilizados em caso de escalada da crise”. Draghi reconheceu ainda que a Zona Euro entraria em “território desconhecido” se a crise grega piorasse.

Os ministros europeus das Finanças reúnem-se nesta sexta-feira em Riga, mas há fracas expectativas de que possa ser, então, alcançado um acordo de princípio sobre as reformas gregas.

Fonte: Negócios

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