A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre, acima do previsto mas a um ritmo inferior ao registado nos primeiros três meses do ano, anunciou ontem o INE. A compra de material militar e o aumento do preço do petróleo duplicaram o crescimento das importações, que anulou a retoma no consumo privado e a subida das exportações.

O ritmo de crescimento da economia portuguesa desacelerou no segundo trimestre deste ano, depois do aumento das importações ter duplicado devido à subida dos preços do petróleo, desvalorização do euro e aquisição de material militar, um factor que acabou por anular os efeitos da melhoria do consumo privado e das exportações, segundo dados revelados ontem pelo INE. Portugal continua a dar sinais mistos com o investimento em queda e o emprego em mínimos históricos.

O Instituto Nacional de Estatística fez ontem uma revisão em alta da evolução da economia nacional no segundo trimestre, que cresceu 1,5% entre Abril e Junho face ao período homólogo de 2009 e 0,3% em relação ao primeiro trimestre. O INE tinha anteriormente avançado com uma estimativa de 1,4% e 0,2% para o crescimento anual e trimestral, respectivamente. Porém, a performance ficou abaixo do verificado nos primeiros três meses do ano quando o Produto Interno Bruto (PIB) se expandiu 1,8% depois de vários trimestres em contracção.

Para a desaceleração do segundo trimestre foi determinante o comportamento das importações, componente que duplicou o seu crescimento de 5,3% no primeiro trimestre para 10,4% no segundo. As compras ao exterior anularam a ligeira melhoria nas exportações, que subiram 10,1% entre Abril e Junho contra um aumento de 8,8% no trimestre anterior. Estas levaram a que a procura externa líquida tivesse um impacto negativo no PIB retirando-lhe 1,0 pontos percentuais ao crescimento, adianta o INE.

A subida das importações foi sustentada por três factores: o aumento do preço do petróleo neste período, que encareceu as importações desta matéria-prima, a aquisição de material militar e a desvalorização do euro, que penalizou também os termos de troca com os países fora do euro.

Portugal importou, em volume, mais 800 milhões de euros no segundo trimestre do que no primeiro trimestre, refere o INE, enquanto as exportações subiram 500 milhões de euros no mesmo período. A aquisição do submarino Tridente pelo governo português, com um custo de 500 milhões de euros, terá sido o principal responsável pelo aumento dos gastos com material militar.

Outro factor que abrandou o andamento da economia foi o investimento que manteve a tendência de queda dos últimos meses, contraindo-se 3,8% no segundo trimestre (recuo de 3,5% no anterior). O investimento das empresas privadas sofreu uma forte descida com de -2,3% para -4,6% sinalizando que os empresários continuam relutantes em investir apesar do aumento das encomendas à indústria nos últimos meses.

De acordo com o INE, o crescimento da economia nacional no segundo trimestre foi sustentado pela procura interna, nomeadamente o consumo das famílias e da Administração Pública, que compensaram o recuo no investimento. O consumo privado, maior componente do PIB, acelerou 2,8% (+2,6% no trimestre anterior) e com melhorias tanto a nível dos bens não duradouros (+1,6%) como dos duradouros (+15,6%), embora esta última esteja influenciada pelo efeito base do período homólogo de 2009, quando as vendas automóveis caíram a pique.

A expansão da economia pelo segundo trimestre consecutivo teve um efeito apenas marginal no emprego, que voltou a atingir um mínimo histórico. De acordo com o INE, o emprego total, já corrigido da sazonalidade, diminuiu 1,5% em termos homólogos no segundo trimestre, mas uma descida menor que no trimestre anterior (-1,7%). Para esta evolução contribuiu a recuperação do emprego por conta de outrem, que subiu 0,1% contra uma descida de 0,8% entre Janeiro e Março. No final de Junho, Portugal tinha 4,951 milhões de pessoas empregadas, menos 30 mil que no final de Março.

Outros dados divulgados ontem pelo INE apontam que a economia portuguesa melhorou alguns dos indicadores para Julho com as exportações a subirem mais que as importações, o sector da hotelaria a demonstrar uma recuperação e as encomendas à indústria a manterem a tendência de subida.

Hotelaria melhora em Julho

As dormidas nos estabelecimentos de hotelaria cresceram 8,1% em Julho face ao mês homólogo do ano anterior, com os proveitos a subirem 10%, adiantou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). Para este resultado contribuiu o comportamento dos não residentes (subida de 8,3%), contrariando a tendência negativa verificada nos últimos três meses, bem como a dos residentes (+7,8%). Em Julho, os proveitos globais ascenderam a 225,6 milhões de euros, enquanto que as receitas de aposentos atingiram os 158,7 milhões, correspondendo a acréscimos homólogos positivos de 10 e 9,5%, respectivamente.
A estada média em Julho manteve-se em 3,2 noites, face ao mesmo mês do ano anterior, enquanto que caiu 0,1 pontos percentuais, para 2,7 noites, nos primeiros sete meses deste ano. Em termos acumulados, de Janeiro a Julho, os estabelecimentos hoteleiros acolheram cerca de 7,5 milhões de hóspedes, originando 20,4 milhões de dormidas, o que, face ao mesmo período de 2009, se traduziu num acréscimo de 4,5 e 0,9 por cento respectivamente.

Encomendas à indústria desaceleram

As novas encomendas à indústria aumentaram 4,9% em Julho face ao período homólogo, mas desaceleraram em relação ao mês anterior, quando cresceram 10,3%, devido à travagem do mercado nacional, disse ontem o INE.
As encomendas oriundas do mercado nacional caíram em termos homólogos 7,0% em Julho, depois de um aumento de 3,2% no mês anterior.
Já as encomendas à indústria do mercado externo tiveram um aumento homólogo de 17,5% em Julho (tinha sido de 17,4% em Junho).
O agrupamento de bens intermédios foi o que mais contribuiu para a variação positiva deste índice em termos homólogos, ao registar um crescimento de 14,4% em Julho (15,5% em Junho).
Os bens de investimento foi o único agrupamento com um comportamento negativo, ao cair 7,1% em Julho (4,8% em Junho).

Défice da balança comercial agrava-se

O défice da balança comercial sofreu um agravamento de 495 milhões de euros entre Maio e Julho de 2010, passando de um saldo negativo de 4,667 mil milhões para 5,162 mil milhões de euros, disse ontem o INE.
Neste período, as exportações aumentaram 13,8% e as importações 12,7% face ao período homólogo. As classes de Combustíveis e lubrificantes (32,0%) e de Material de transportes e acessórios (30,3%) foram as que registaram maior acréscimo a nível de entradas, a reflectir o aumento do preços dos combustíveis e a importação de material militar.
Do lado das saídas, houve também aumentos nas categorias de Combustíveis e lubrificantes (49,3 por cento), Fornecimentos industriais (21,2%) e Material de transporte e acessórios (18,6%). No primeiro semestre deste ano as exportações subiram 16% em relação ao mesmo período de 2009 assentes na maior procura de mercados como espanhol, alemão, francês e norte-americano, este último a registar a maior subida homólga.

Fonte: Oje

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2016-12-01T15:39:16+00:00 09/09/2010|Categorias: Estatística|0 comentários
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