A indústria de base florestal é a terceira maior exportadora do país e, apesar da crise, há três anos consecutivos que tem vindo a reforçar o seu peso nos mercados estrangeiros, anunciou hoje a papeleira Portucel Soporcel.

“As exportações da indústria papeleira [que gere quase 6 por cento da floresta portuguesa] representaram 10,6%, até Agosto, no total das vendas efectuadas por Portugal ao exterior, face a igual período de 2009, ocupando o terceiro lugar como maior exportador do país”, disse hoje à agência Lusa o presidente executivo do grupo Portucel Soporcel, José Honório.

O gestor da papeleira, que falava à margem do seminário internacional “Biodiversidade, um valor com futuro”, que hoje se realiza em Lisboa, garantiu que o peso do sector se tem vindo a reforçar, tendo passado de 9,9% em 2009, para 1,2% em 2010 e para 10,6% até Agosto deste ano, em relação ao total das exportações portuguesas.

“Esta é uma tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos três anos, apesar da situação financeira difícil por que passa Portugal”, disse José Honório, sublinhando que o modelo de negócio da indústria papeleira tem de assentar, cada vez mais, no respeito pela qualidade ambiental e pela responsabilidade social.

Neste sentido, a reflexão sobre a biodiversidade e o capital natural por parte dos agentes políticos, económicos e sociais, constitui hoje um dos vectores fundamentais para uma “estratégia de sucesso” empresarial neste sector, salientou.

Neste Ano Internacional da Biodiversidade (2010), a conservação dos valores naturais e a sua gestão na óptica da valorização económica e ambiental, constitui “um activo” a não esquecer, disse o especialista internacional Pavan Sukhdev, que chamou também a atenção dos governos, empresas e de outros agentes da sociedade, para que reconheçam o ecossistema como sendo fundamental para um desenvolvimento económico sustentado e criador de novos empregos.

“O Produto Interno Bruto (PIB) não captura o ecossistema como valor quantificável, mas nós sabemos que sem ele não há uma estratégia empresarial de desenvolvimento sustentado”, disse Pavan Sukhdev, que lidera o projecto Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade.

“Os benefícios naturais não podem ser esquecidos e têm de ser equacionados, em simultâneo, com o capital humano”, concluiu.

Fonte: Oje

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2010-11-05T18:42:41+00:00 05/11/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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