Os credores da Ensinave, empresa que criou o Instituto Superior do Vale do Ave (ISAVE), decidem amanhã se o estabelecimento de ensino e a entidade que lhe deu origem são ou não dissolvidos.

O ISAVE faz parte da massa insolvente da empresa, segundo o relatório da insolvência da Ensinave, a que a Lusa teve acesso.

Em declarações à Lusa, Nuno Albuquerque, administrador da insolvência da Ensinave, realçou que neste momento “a preocupação é salvaguardar os interesses dos credores (da Ensinave) e dos alunos do ISAVE”.

O relatório coloca dois cenários possíveis para o futuro: a liquidação imediata da Ensinave ou a “aprovação de elaboração de plano de insolvência” com o objectivo de garantir a sustentabilidade da empresa.

A questão da titularidade do ISAVE é fulcral neste processo.

A direcção do estabelecimento de ensino garante que este é “há quase dois anos, gerido e administrado pela Fundação Padre António Vieira, após comunicação feita em tempo ao Ministério da Ciência e Ensino Superior”.

À Lusa, o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior (MCTES) afirmou que “não estando a Fundação Padre António Vieira reconhecida não se poderia ter operado a transferência da titularidade do ISAVE da Ensinave para a referida Fundação”.

A tutela realça que “um pedido de transferência de titularidade para a Fundação Padre António Vieira só poderá ser apreciado se e quando esta Fundação for reconhecida”.

No relatório lê-se que “determinante para sustentar a inversão da situação de insolvência será, desde logo, a clarificação da situação da titularidade” do ISAVE.

Em relação a este exige-se que “a respectiva exploração e gestão seja retomada pela insolvente”.

“Considerando o exposto, é propósito do Administrador de Insolvência, se corroborado pela Assembleia de Credores e/ou Comissão de Credores, tomar a exploração do ISAVE”, refere.

Os créditos a reclamar na Assembleia de credores da Ensinave estão na ordem dos 12,5 milhões de euros.

Entre os maiores credores da Ensinave está o Estado. As finanças reclamam o pagamento de 379 mil euros, enquanto que as dívidas à Segurança Social ultrapassam os 660 mil euros. Já o Grupo Ensanis reclama quase 6,5 milhões de euros.

A Trivima – Emp. Turísticos Construção Civil, Lda, que foi a empresa que requereu a insolvência da Ensinave, reclama créditos de mais de 1,5 milhões de euros.

As duas dezenas de pequenos credores reclamam créditos entre os 5 e os 10 mil euros cada.

O relatório da insolvência avalia os bens da Ensinave em pouco mais de 530 mil euros, já que não atribui qualquer valor específico ao principal activo da empresa, o ISAVE.

O ISAVE, sedeado na Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga, tem 825 alunos e 105 funcionários, dos quais 69 são docentes. Ministra nove cursos de licenciatura, cinco de pós-graduação e um de doutoramento.

A Assembleia de Credores da Ensinave está marcada para amanhã, dia 14, pelas 14h30 no Tribunal da Póvoa de Lanhoso.

Fonte: Oje

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2016-12-01T15:39:09+00:00 13/01/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
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