O julgamento do maior importador português de cereais, a Oleocom, conta hoje com mais uma sessão no Tribunal da Lourinhã, depois de ter começado há um ano.

O julgamento prossegue com a audição de várias testemunhas de acusação e de defesa, depois de o administrador de insolvência, Arnaldo Pereira, ter vindo a qualificar a insolvência como culposa em relação ao administrador executivo, Ramiro Raimundo, que pode vir a ser condenado.

O relatório do administrador de insolvência baseou-se numa auditoria às contas da empresa feita pela Deloitte.

A auditoria aponta para diversas transacções financeiras, entre a Oleocom e a Intracom – uma empresa sediada num paraíso fiscal e gerida pelos mesmos administradores da Oleocom, Ramiro Raimundo e os dois principais accionistas do Grupo Valouro, José António dos Santos e António José dos Santos.

O esquema identificado consistia na aquisição de matérias-primas para a Oleocom através da Intracom, cujas facturas tinham um preço mais elevado do produto face à factura original enviada pelo fornecedor, havendo por isso uma margem de lucro da Intracom.

Na conta bancária da Intracom, foram também identificados movimentos contabilísticos oriundos da Oleocom, em relação aos quais “não foi possível relacionar com transacções comerciais” nem localizar “o suporte documental” da Oleocom a justificar as transferências de capital que saíam da empresa.

Muitas vezes, as transferências bancárias, que os funcionários sabiam que tinha como destinatária a Intracom, eram feitas em contas de “entidades que não eram conhecidas da Oleocom como fornecedores”.

O julgamento foi iniciado em Setembro de 2009, juntando mais de duas dezenas de credores, sendo o principal o Banco Comercial Português, com 52,5 milhões de euros em dívida.

Nos últimos três anos, a empresa dedicava-se à compra e venda de cereais a granel para a transformação em óleo de soja, cujas embalagens eram vendidas no mercado nacional, importando por ano um milhão de toneladas de cereais.

Fonte: Público

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2016-12-01T15:39:16+00:0006/09/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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