Dois jornais de referência do mundo financeiro, o alemão “Handelsblatt” e o britânico “Financial Times”, estão hoje a dar eco à probabilidade de a Irlanda seguir em breve os passos da Grécia.

Segundo o Handelsblatt, que cita fontes governamentais não identificadas, o Banco Central Europeu (BCE) esteve a analisar a possibilidade de ser activado o recém-criado fundo europeu de estabilização financeira para acudir à Irlanda e terá chegado a dar instruções a vários países da Zona Euro para angariarem verbas para esse fim. Mas o plano acabou por ser recusado, sem que o jornal explique quem recusou concretamente o quê.

O BCE, por seu turno, não se mostrou disponível para confirmar ou desmentir a notícia, escreve a Reuters.

Já edição online do “FT” escreve esta tarde que “os mercados receiam que a Irlanda seja uma outra Grécia”. O jornal refere que as garantias dadas pelos políticos de que a Irlanda não precisa de ajuda externa estão a ser ignoradas pelos mercados, que continuam a exigir taxas de juro crescentemente elevadas para financiar o velho “tigre celta”, deixando uma sensação de “déjà vu” face ao que sucedeu na Grécia.

Nos moldes em que foi apresentado, o fundo europeu poderá disponibilizar até 750 mil milhões de euros durante três anos para socorrer países do euro que não consigam financiar-se nos mercados financeiros. Para ser desencadeado, o Governo em apuros terá de fazer um pedido que será posteriormente analisado pela Comissão Europeia e pelo BCE. No caso de ser accionado, o FMI entrará com cerca de um terço dos fundos mobilizados.

Tal como Portugal, a Irlanda vive o cenário de juntar uma crise política à económica e financeira, numa altura em que o Governo se prepara para divulgar a “factura” mais actualizada da intervenção na banca.

Segundo a Standard&Poor’s, a decisão do Governo irlandês de injectar 10 mil milhões de euros no Anglo Irish Bank, nacionalizado durante a crise financeira, aumentou “significativamente” a factura que os cofres públicos terão de assumir por amparar a banca, duramente afectada pela dupla explosão da bolha especualtiva no imobiliário e sub-prime norte-americano

Nos cálculos da agência de “rating”, o custo orçamental acumulado das medidas de apoio ao sector financeiro, incluindo as perdas prováveis que o Estado terá de assumir por ter ficado na posse de “activos tóxicos”, subiu para 90 mil milhões de euros – sensivelmente metade do PIB português.

Traduzindo para a contabilidade pública, isso significa um agravamento exponecial da dívida: 113% do PIB é a previsão da S&P para 2012, num país que, em 2009, apresentou o défice orçamental mais elevado de toda a Zona Euro (14,6%).

Na semana passada, a Irlanda conseguiu obter 1,5 mil milhões de euros nos mercados financeiros, mas, em contrapartida, pagou um preço muito pesado. A taxa média para a emissão dos títulos de dívida a quatro anos foi de 4,767% (contra 3,627% em Agosto); com maturidade a oito anos, a taxa ascendeu a 6,023% (5,088% em Junho).

Os juros associados à dívida irlandesa são hoje os que, no âmbito da Zona Euro, mais sobem em todos os prazos. A “yield” da dívida a 10 anos sobe 15 pontos base para 6,474%, acima da reclamada a Portugal, que sobe 6 pontos base para 6,308%. Nos prazos mais cursos a tensão é mais significativa, com uma subida de 46 pontos base para 3,920% na maturidade a dois anos. Neste prazo a “yield” portuguesa sobe 12 pontos para 3,957%.

Fonte: Negócios

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2016-12-01T15:39:15+00:00 27/09/2010|Categorias: Internacional|0 comentários
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