A aprovação do Orçamento não conseguiu acalmar os mercados de dívida que continuam a castigar Portugal.

O juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos sobe hoje para os 6,516%, o valor mais elevado desde 29 de Setembro. O recorde foi atingido a 28 de Setembro, altura em que as ‘yields’ superaram os 6,6%. Há sete sessões que o juro cobrado a Portugal não pára de subir, mesmo depois de ter sido anunciado um acordo entre o Governo e o PSD para viabilizar o Orçamento.
Pior que Portugal só mesmo a Irlanda, outro dos países que têm estado na mira dos mercados. É que as ‘yields’ irlandesas da mesma maturidade aceleram para 7,475%, um novo recorde.

No mesmo sentido, o diferencial entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos e as ‘bunds’ alemãs com a mesma maturidade, indicador conhecido por ‘spread’, avança para 401,3 pontos base, um máximo de 30 de Setembro.

Também o preço dos ‘credit default swaps’ – espécie de seguro contra o incumprimento – das obrigações do Tesouro a 5 anos portuguesas sobe para os 416,67 pontos base. Na prática, isto significa que por cada 10 milhões de euros aplicados em divida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 416,67 mil euros.

“É expectável uma grande volatilidade dos juros e ‘spread’ das Obrigações do Tesouro portuguesas, porque com as medidas de austeridade apresentadas, é previsível que haja uma contracção do crescimento económico”, afirmou Jamie Stuttard, da Schroders.

“A aprovação do Orçamento não foi uma novidade, era algo que já sabíamos há alguns dias que iria acontecer. Mais importante do que a aprovação será a sua execução. Não estou à espera de um impacto muito positivo no mercado”, acrescentou Filipe Silva do Banco Carregosa.

O agravamento dos indicadores de risco de Portugal surge um dia depois de Portugal ter pago juros mais elevados que nas emissões anteriores para colocar 1.032 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro, com maturidades a três e doze meses.

Quando faltam dois meses para terminar o ano, Portugal tem ainda pela frente o desafio de colocar, no mínimo, 3,02 mil milhões de euros em dívida pública no mercado.

José Sócrates insistiu hoje, em declarações do Financial Times, que não vê razões razões para as ‘yields’ de Portugal estarem a subir. “Não vejo qualquer razão para o juro das obrigações subir. Vejo boas razões para descer”, afirmou o primeiro-ministro.

Fonte: Económico

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2010-11-04T13:22:56+00:00 04/11/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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