A consultora KPMG alertou hoje, em Luanda, para o crescimento preocupante do malparado em Angola, de 41,6 por cento em 2014, ano que fechou com a banca angolana a registar um volume de crédito vencido de 14,5% do total.

A posição foi assumida pelo responsável da KPMG em Angola, Vítor Ribeirinho, na apresentação do estudo anual da consultora internacional sobre o setor bancário angolano, analisando dados de 23 bancos que operavam no país em 2014.

“O crescimento do crédito malparado é preocupante porque denota a conjuntura económica e a forma como as empresas estão a ter capacidade para responder, ou não, ao serviço da dívida. Quer dizer que 15 kwanzas em cada 100 que são concedidos de crédito estavam em situação de vencido a 31 de dezembro de 2014”, apontou Vítor Ribeirinho.

Angola enfrenta desde o segundo semestre de 2014 uma crise financeira e económica, também com repercussões ao nível cambial, decorrente da forte descida da cotação do barril de crude no mercado internacional, que fez cair para metade as receitas com a exportação de petróleo.

As contas do bancos angolanos de 2014, analisadas pela KPMG neste relatório, foram também influenciadas pela situação do ex-Banco Espírito Santo Angola, que após intervenção do Banco Nacional de Angola, devido precisamente ao volume de crédito malparado, superior a três mil milhões de euros, foi transformado em Banco Económico.

“Aquilo que é mais preocupante é que em 2015 estes indicadores continuam a agravar-se e continua a haver uma tendência crescente para que o crédito vencido não esteja contido”, sublinhou Vítor Ribeirinho.

O crédito global concedido pela banca angolana ultrapassa os 20 mil milhões de euros.

O estudo da KPMG concluiu que o setor bancário angolano viu o valor de ativos crescer 7,3% de 2013 para 2014, para 7,105 biliões de kwanzas (48,4 mil milhões de euros), enquanto os depósitos e recursos dos clientes subiram 15,1%, abaixo de taxas em anos anteriores.

Vítor Ribeirinho sublinhou que a taxa de crédito malparado de 14,5% em 2014 compara com uma percentagem de 11,3% no ano anterior, mas há também “uma grande concentração de risco” nos empréstimos concedidos.

“Na generalidade dos bancos, os vinte principais clientes significam qualquer coisa como 60 ou 70% da carteira de crédito. Obviamente que isto não é desejável, basta que um desses clientes entre em dificuldades para trazer dificuldades maiores aos bancos”, reconheceu o responsável da KPMG, identificando a necessidade de os bancos “diversificarem” o crédito.

No estudo hoje apresentado, a consultora identifica igualmente a gestão dos riscos de mercado, das operações cambiais ou a recuperação do crédito vencido como desafios do setor bancário angolano no curto prazo.

Foi ainda enfatizado o facto de os bancos angolanos estarem a ver contas que possuem em bancos estrangeiros encerradas, devido às exigências internacionais de requisitos sobre o controlo de atividades e combate ao branqueamento de capitais, o que continuará a agravar as dificuldades de transferências para o estrangeiro.

Fonte: Dinheiro Digital

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2016-12-01T15:37:46+00:0007/11/2015|Categorias: Internacional|Tags: , , |0 comentários
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