Autarquia diz que quarteirão precisa de actividade económica. Oposição alerta que alteração coloca em causa o futuro da cidade e a restauração tradicional.

A Câmara de Matosinhos (CMM) aprovou nesta terça-feira por maioria a alteração do Plano de Urbanização de Matosinhos-Sul. A aprovação, por maioria mas com os votos contra do PSD e do PS, permite assim a construção de um hotel com sete pisos, um supermercado LIDL, um restaurante McDonald’s e um ginásio no chamado quarteirão da Algarve Exportadora.

Em 2007, estava previsto que ali fosse criado um Museu do Mar no âmbito da construção do Instituto de Ciências do Mar, mas uma alteração do protocolo entre a autarquia e o proprietário dos terrenos inviabilizou a pretensão. As obras no quarteirão entre a Avenida da república e a Rua Roberto Ivens avançam já em Abril com a construção do restaurante e do supermercado, noticiou anteontem o JN. Já o hotel, que aguarda fundos comunitários, arrancará apenas em Julho e só se realmente esses fundos surgirem.

Menos habitação e mais actividade económica
Na proposta aprovada, a autarquia sustenta que o objectivo é “acolher oportunidades de investimento privado consideradas relevantes para a reconversão de Matosinhos-Sul” que gerem emprego. A câmara defende ainda que o modelo de crescimento para aquela zona, assente outrora na construção intensiva de imóveis para os quais a procura desceu com a crise, já não é sustentável. Agora, “verifica-se um défice de actividades complementares à habitação, comércio e serviços de proximidade”.

A alteração, porém, mereceu fortes críticas do PSD. “Estamos a subverter a ordem natural das coisas. Alguém bateu à porta – e vou dar de barato que alguém cá veio – e veio dizer que lá queria fazer algo que não podia. E face a isso a câmara altera o que se pode lá fazer para que possa ser feito. Este é o conceito de uma cidade que não queremos”, disse o vereador social-democrata, Pedro da Vinha Costa. O vereador considerou ainda que a alteração deste “instrumento de planeamento coloca em causa o futuro da cidade”.

Já o PS, pela voz de António Parada, voltou a insistir que o local deveria servir para instalar o Museu do Mar e questionou, em alternativa, “quantos milhões a câmara gastou para promover” a gastronomia ligada à actividade piscatória de Matosinhos ao mesmo tempo que “vai pôr os turistas a comer hambúrgueres”. Parada defende que esta decisão poderá vir a afectar os empregos ligados ao mar e à restauração matosinhense.

A CDU, por outro lado, votou a favor. “A urbanização de Matosinhos-Sul corresponde a uma ideia má. Ao longo dos anos fomos sustentando isso. Dez por cento das habitações construídas estão desocupadas. Temos ali habitação a mais e economia a menos”, disse José Pedro Rodrigues. O vereador comunista que tem o pelouro dos Transportes e da Mobilidade, defendeu ainda que zona mantenha com “carcaças das indústrias” do passado mantenha “a memória da sua identidade”.

Dois milhões para retirar amianto
Durante a reunião, o vice-presidente da autarquia, Eduardo Pinheiro, aproveitou ainda para informar que a câmara já tem em curso um “levantamento sobre os bairros, escolas e outras estruturas” que tenham amianto na sua construção. Neste ponto, o edil disse que a autarquia prevê atribuir uma quantia de dois milhões de euros para retirar o amianto das estruturas municipais. “Queremos é saber se o Governo também vai participar nessas obras”, apontou.

A informação foi avançada depois do PSD ter sugerido precisamente a realização de um levantamento daquele tipo “de forma a que seja possível erradicar o amianto. “Não vale a pena ter a consciência do problema e os braços cruzados”, disse Pedro da Vinha Costa.

Fonte: Público

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2016-12-01T15:38:20+00:0026/03/2014|Categorias: Portugal|Tags: , , , , |0 comentários
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