O eurodeputado centrista Nuno Melo considera que a indústria têxtil portuguesa«não pode ser moeda de troca» para a União Europeia (UE) beneficiar o Paquistão, sob os «pretextos» das recentes inundações e do combate ao terrorismo

Nuno Melo, que hoje dirigiu uma carta ao primeiro-ministro, José Sócrates, e ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a que a Lusa teve acesso, apelou aos dois responsáveis para que não concedam os chamados direitos ‘zero’ ou mesmo a cláusula MFN (Most Favoured Nation) ao Paquistão.

Para o eurodeputado, «esta decisão, a ser tomada, vai ter efeitos devastadores para a indústria do têxtil e do vestuário em Portugal».

Nuno Melo entende que o que está em causa é, «sob diversos pretextos – sejam eles o combate ao terrorismo ou até as recentes inundações – conceder isenções àquilo que se chamam direitos zero ou até uma cláusula MFN, que significará uma liberalidade para o Paquistão em 13 categorias directamente concorrentes com Portugal».

Com isto, alerta o eurodeputado eleito pelo CDS, «as empresas portuguesas vão ter de concorrer – além de uma situação conjuntural de crise internacional que se conhece e onde sobrevivem como podem – com empresas que se sabe que laboram em países na base de situações de dumping social, laboral e ambiental».

Nuno Melo defende que «o têxtil e o vestuário de Portugal não podem ser moeda de troca para quaisquer benefícios externos que a União Europeia quer agora conceder ao Paquistão, até porque a primeira das obrigações da UE há-de ser a de proteger os países da União e, entre eles, Portugal».

Questionado sobre qual o olhar da Europa sobre esta matéria, o eurodeputado português afirma que há uma«forte probabilidade de que assim suceda».

«Tanto quanto sei, muito brevemente vai haver uma reunião em Bruxelas com os ministros dos Negócios Estrangeiros onde este ponto vai estar na agenda. As informações que vou tendo é que haverá uma forte probabilidade de que assim suceda e é por isso que eu faço este apelo», afirmou.

Para Nuno Melo, «o senhor primeiro-ministro

[José Sócrates] tem as competências e a obrigação de evitar que alguma coisa suceda».

Também os eurodeputados comunistas Ilda Figueiredo e João Ferreira instaram na quarta-feira a Comissão Europeia a explicar se é verdade que a instituição se prepara para propor a abertura do mercado da UE a 13 categorias de produtos têxteis do Paquistão.

«A tragédia que se abateu sobre o Paquistão, e que exige a solidariedade europeia, não pode ser pretexto para pôr em causa a indústria têxtil»europeia, defenderam igualmente.

Fonte: Sol

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2016-12-01T15:39:16+00:0009/09/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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