Construção, poluição e até o consumo de carne de porco. Estes números dizem-lhe como a economia da China mudou nos últimos anos. Explore os gráficos e descubra essa transformação.

O presidente chinês Xi Jinping vai visitar os Estados Unidos esta semana, num encontro oficial em Washington com Barack Obama. Será uma reunião de titãs, que simboliza uma conversa que se espera tensa entre os líderes das duas maiores economias do planeta.

Acontece que a China – com 1,4 mil milhões de habitantes – cresceu a um ritmo alucinante nos últimos anos quando comparada com a economia dos Estados Unidos, onde vivem 318 milhões de pessoas. Basta olhar para os números do Produto Interno Bruto (PIB) de ambas as potências: de acordo com os dados atualizados do FMI apresentados pela CNN, o PIB chinês cresceu 6,8% enquanto o norte-americano ficou-se pelos 2,5% no ano passado.

 

 

Ainda assim, o valor do PIB per capita (isto é, o resultado da divisão do produto interno bruto pela quantidade de habitantes de um país), os Estados Unidos ficam à frente. Eis os dados do Banco Mundial.

 

Êxodo rural e urbanização

Uma boa ilustração da atual realidade económica chinesa está na urbanização próspera e no êxodo rural, motivado pela busca de novos postos de trabalho nas cidades. A ONU criou um gráfico onde explica a evolução dos centros urbanos na China entre 1970 e 2015, sem deixar de prever o que pode acontecer às cidades chinesas até 2030.

 

 

Mas entre as estatísticas e as construções imperiais que brotam na China, há ainda uma realidade que definha com o crescimento das cidades: é o campo, de onde uma grande parte da população fugiu em busca de outras condições de vida. É que aos habitantes no campo cabe uma parte significativamente menor de ingresso disponível em relação aos habitantes na cidade. Sempre foi assim, mas as diferenças são agora abismais, principalmente a partir de 1995. Quem permaneceu no campo tem menos possibilidades de aceder aos cuidados médicos e à assistência social chinesa. Num planeta onde a população rural está em crescimento lento desde os anos ’50 e está principalmente concentrada em África e na Ásia, a China é o segundo maior número de habitantes no campo (635 milhões), logo a seguir à Índia (857 milhões). Mas a ONU prevê que esse número vá baixar em 300 milhões de pessoas durante os próximos 35 anos.

 

 

Há previsões de que a Índia, China e Nigéria juntas vão ser responsáveis por 37% do aumento em cerca de 2,5 mil milhões de pessoas nas áreas urbanas até 2050. Os chineses já construíram seis megacidades, cada uma com um número de pessoas pelo menos equivalente à população de Portugal. As cidades mais pequenas erguidas desde o início do milénio têm, no mínimo, 5 milhões de habitantes e foram precisamente estas que, entre 2000 e 2014, beneficiaram de um crescimento anual na ordem dos 2,4%. Mas 43 destas cidades cresceram duas vezes mais: a Ásia detém 38 delas, sendo 18 localizadas na China. Dentro destas, apenas uma tem mais que 5 milhões de pessoas: trata-se de Suzhou, na província de Jiangsu. Técnicas de construção O setor da construção na China cresce a olhos vistos. Literalmente: as técnicas aplicadas pelos chineses vieram revolucionar o ramo ao ponto de já ser possível construir prédios inteiros em alguns dias. Foi o caso de um edifício erguido através de modelos pré-fabricados que demorou apenas 19 dias para terminar. Criado por Zhang Yue, o prédio tem 204 metros e, garante o empresário, é barato e seguro.

 

 

Os módulos foram essencialmente construídos em vidro e ferro, mas o cimento continua a dominar o ramo da construção na China. E o país usa-o a uma velocidade impressionante, se comparada com o ritmo norte-americano na utilização deste material para os mesmos fins. Entre 1900 e 1999, os Estados Unidos utilizaram 4.405 milhões de toneladas de cimento. Em apenas dois anos, entre 2011 e 2013, a China utilizou 6.615 milhões de toneladas, informa a BBC.

 

 

O ritmo da oferta na construção chinesa não acompanha, ainda assim, a procura da população: continuam a haver bastantes edifícios ou territórios inteiro sem vivalma, apesar do crescimento urbanístico. São autênticas cidades fantasma, como já começam a ser apelidadas pelo Ocidente. E não só devido ao facto de estarem vazias.

Consequências para o ambiente

A qualidade do ar na China, com particular incidência em Pequim, está a deteriorar as condições de vida na cidade. A indústria viu-se obrigada a expandir para acompanhar as exigências da construção, mas as fábricas não têm mecanismos suficientes de atenuação das consequências dos gases e outros resíduos poluentes.

 

 

A BBC pediu dados sobre este assunto à Embaixada dos Estados Unidos em Pequim. Toda a informação diz respeito à qualidade do ar em Pequim entre 2008 e 2015, tendo em conta as leituras de concentração de PM2,5 (partículas finas).

 

 

Fica claro que o ambiente também tem sofrido com o crescimento económico chinês, que se tornou (literalmente) nocivo devido à dependências energética por combustíveis fósseis. E se as estatísticas não bastam para lhe mostrar a realidade chinesa, veja esta imagem captada pela NASA onde é visível a atmosfera sobre Pequim em janeiro de 2013 e dois anos mais tarde.

 

 

As imagens foram ilustrativas o suficiente para o governo chinês ordenar o encerramentos de várias fábricas no país, na tentativa de diminuir o smog que contamina a atmosfera na China. Uma outra medida foi a criação de um imposto para as emissões, que terá contribuído para a diminuição dos gases poluentes no ar. Mas apenas 74 cidades chinesas foram capazes de melhorar a qualidade do ar para níveis normais.

Turismo e condições de vida

A economia da China cresceu a uma taxa média de 10% por ano durante 30 anos até chegar a 2010, altura em que entrou em estabilização. Estes números devem-se em muito à forma como os chineses se afirmaram como um dos maiores fabricantes do mundo, o que aconteceu durante os anos 80 quando os princípios do mercado capitalista impostos pelo Partido Comunista começaram a surtir efeito.

 

 

As condições de vida dos chineses cresceu e com elas a possibilidade de investir em turismo. A linha que expressa o número de chineses que sai do país em turismo entrou num crescimento exponencial ainda mais acentuado que a da Rússia, enquanto os outros países com os PIB retratados no gráfico acima se tornaram mais estáveis no que toca ao turismo. Gastam pouco menos de 150 mil euros nas suas férias, que são passadas principalmente em Hong Kong, Japão, França, Coreia do Sul, Estados Unidos e Tailândia. Antes, o turismo era um serviço de luxo para os chineses, que agora estão cada vez mais predispostos a alargar os horizontes enquanto a quantia acumulada nas carteiras assim o permitir. Em paralelo, a carne de porco era um bem alimentar mais raro na China.

 

 

Embora tenha sido sempre apreciada pelos chineses, a fraca presença na suinicultura obrigava o país a exportar a carne, tornando-a demasiado cara para muitos chineses. Mas isso era antigamente, garante Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura: o consumo de carne porco na China o ano passado esteve perto de duplicar em relação aos números de 1995. Os 735,1 milhões de porcos mortos para consumo na China já representam metade do consumo mundial deste animal.

Fonte: Observador

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2016-12-01T15:37:46+00:0027/09/2015|Categorias: Estatística|Tags: , , , , , |0 comentários
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