É a pergunta de fim e de início do ano. Neste momento, depende pouco do País e muito dos mercados financeiros.

É a questão que mais se ouve – e que provavelmente mais de ouvirá neste início de 2011. Seja nos corredores do poder, seja na mercearia de esquina. Compreende-se a ansiedade, pois este é um daqueles acontecimentos que teria efeitos na vida de todos os portugueses.

Neste momento ninguém pode responder com absoluta confiança.

Desenham-se três tipos de resposta possíveis: a fatalista, “sim, é inevitável”; a sarcástica, “o FMI já cá está”; e a politicamente correcta, “Portugal não precisa de ajuda”.

A primeira é a mais consensual. Portugal vai ter de pedir muito dinheiro emprestado aos investidores internacionais – 20 mil milhões ao longo do ano – sendo de prever uma grande pressão no primeiro semestre, e a maioria dos analistas duvida que o consiga fazer a preços aceitáveis. Por outro lado, a pressão dos restantes Estados-membros para que Portugal avance com um pedido de ajuda, deverá voltar em força, acabando por deixar José Sócrates sem alternativa, tal como sucedeu como seu homólogo irlandês.

Os que dão a segunda resposta procuram sobretudo sublinhar que as medidas aprovadas nos últimos meses pelo Governo vão todas ao encontro das propostas do FMI e da

Comissão Europeia. No fundo, afirmam, o Governo está a adiantar trabalho, antecipando um conjunto de medidas que uma possível intervenção externa implicaria.

Finalmente, há os que dizem que a intervenção externa não é necessária “se fizermos o trabalho de casa”, reafirmando a capacidade do Estado em respeitar os seus compromissos. É esta a resposta do Governo e da Presidência da República.

Quais seriam as vantagens?

José Silva Lopes afirma que, desta vez, tem medo do FMI. Os banqueiros nem querem ouvir falar dele. E o Governo alerta que uma eventual entrada do Fundo em Portugal traria necessariamente consigo mais medidas de austeridade. Mas também há quem consiga ver vantagens na situação.

Uma versão menos dramática das consequências alega que Portugal, como os demais países europeus, são membros de pleno direito quer da União, quer do Fundo Monetário,

não devendo inibir-se de usar os mecanismos de socorro que lhes são postos à disposição quando eles se tornam necessários.

Esta corrente mais prática – engrossada por vários destacados membros do FMI – sustenta, ainda, que os eventuais danos de imagem que resultariam do resgate seriam largamente compensados com a conquista de uma maior estabilidade financeira e económica do País. Portugal conseguiria satisfazer as suas necessidades de financiamento a um juro mais baixo do que aquele que está a ser exigido pelos investidores internacionais.

Isto permitiria ainda que as reformas exigidas pudessem ser feitas num ambiente financeiro menos tenso do que o que tem servido de pano de fundo ao consecutivo anúncio de medidas de austeridade.

O “chapéu” do FMI e das instituições europeias serviria, também, para estabilizar, pelo menos no curto prazo, o risco-país de Portugal, de acordo com a opinião de um conjunto de gestores ouvido recentemente pelo Negócios.

Um resgate a Portugal poderia também ser útil para serenar a instabilidade financeira no resto da Zona Euro, nomeadamente em Espanha – o próximo país que está mais ameaçado com uma crise de dívida.

Fonte: Negócios

Comentários

comentarios

2016-12-01T15:39:09+00:00 02/01/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
error: Segurança, acima de tudo! ;)