As medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Governo estão em foco nos sites internacionais.

As novas medidas de austeridade tomadas pelo Governo português foram já comentadas por alguns jornais alemães, como o ‘Frankfurter Allgemeine’, que as considera um “drástico agravamento do programa de poupanças”, na sua edição electrónica.

“O país mais pobre da Europa Ocidental anunciou inesperadamente mais drásticas medidas de poupança e, como parte dos novos esforços para superar a crise da dívida pública, incluem-se reduções salariais na função pública e um novo aumento do Imposto sobre o Valor Acrescentado”, escreve o matutino germânico.

O ‘Handelsblatt’ também aborda o tema, igualmente sob o título “Portugal agrava as medidas de poupança”, escrevendo que o governo de José Sócrates pretende comprometer a oposição com as suas propostas.

“Os conservadores, no entanto, têm recusado todo e qualquer aumento de impostos, para não sufocar a economia”, diz a publicação de Dusseldorf.

Por seu turno, o matutino ‘Die Welt’ diz que Portugal quer superar a crise orçamental com cortes nos salários mais elevados da função pública e novo aumento do IVA.

Imprensa espanhola refere “drástico plano” de medidas aprovadas em Portugal

A imprensa espanhola refere-se ao “drástico plano” de medidas que o Governo português anunciou quarta-feira para tentar reduzir o défice das contas públicas, destacando em particular o corte de salários e o aumento do IVA.

Essas duas medidas, bem como outras do leque anunciadas pelo primeiro-ministro José Sócrates, já estão em vigor em Espanha que nos primeiros oito meses do ano conseguiu reduzir o seu défice em 42,2%.

O correspondente do ‘El País’ em Lisboa detalha algumas das medidas anunciadas, recordando as declarações de José Sócrates de que o corte de salários “é a medida mais difícil de adoptar” e de que medidas idênticas já foram adoptadas em Espanha.

As informações sobre as medidas portuguesas são publicadas ao lado de uma notícia em que se detalham decisões orçamentais que França vai adoptar em 2011 e que incluem o congelamento de gastos e a anulação de incentivos fiscais.

Também o ‘El Mundo’ destaca as medidas portuguesas que considera inserirem-se num “duro plano de contenção”.

O jornal recorda o último relatório da OCDE sobre as perspectivas da economia portuguesa e relembra que Sócrates terá agora uma “tarefa difícil” no parlamento para convencer a oposição a apoiar o orçamento.

O jornal ‘ABC’ considera que com as novas medidas “os bolsos dos cidadãos portugueses ver-se-ão novamente prejudicados, poucos meses depois do primeiro pacote de medidas extraordinárias aprovado pelo Executivo português”.

No artigo, intitulado “Portugal aprova outro duro e exigente ajuste”, o jornal recorda que o país “segue os passos empreendidos por outros países da UE como Espanha, Irlanda ou Grécia, baixando os salários dos funcionários públicos”.

Imprensa financeira francesa refere “urgência” do plano português

A imprensa financeira francesa de hoje refere sem grande destaque o plano de austeridade anunciado quarta-feira “de urgência” pelo primeiro-ministro José Sócrates.

“Portugal anunciou de urgência na quarta-feira medidas de austeridade orçamental para 2011 incluindo uma descida dos salários dos funcionários públicos e um aumento do IVA, algumas horas depois de um alerta pouco habitual da Comissão Europeia sobre as finanças”, escreve o jornal ‘Les Echos’.

Recuperando a notícia da Agência Reuters sobre o plano português, o ‘Les Echos’ refere que “Bruxelas exprimiu a sua inquietação sobre a incapacidade persistente do Governo minoritário de José Sócrates em pôr-se de acordo com a oposição sobre o projecto de Orçamento de Estado para 2011”.

Também o ‘Le Fígaro’, numa breve referência ao plano de austeridade, salienta que foi anunciado “poucas horas depois” do alerta de Bruxelas.

De resto, a imprensa francesa ignora o plano português, num momento em que as atenções estão inteiramente viradas para a discussão e reacções à lei do orçamento francês para o próximo ano, “o último OE antes de abrir a época de campanha eleitoral”, como salientam os jornais.

A degradação da notação da dívida soberana de Espanha pela agência Moody’s ou as contingências orçamentais da Irlanda ganharam nas últimas 48 horas mais atenção do que o anúncio de José Sócrates.

Fonte: Económico

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2016-12-01T15:39:15+00:00 30/09/2010|Categorias: Internacional|0 comentários
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