As Pequenas e Médias Empresas (PME) que têm a sua actividade concentrada em Portugal vão enfrentar um ano de 2011 particularmente difícil.

A contracção do mercado nacional, que se traduzirá numa diminuição do consumo, a par das pressões acrescidas que serão feitas pelas grandes empresas – por exemplo, das grandes superfícies aos seus fornecedores – são dois factores que reduzirão a margem de manobra das PME. Muitos empregos irão ficar em risco, o risco de incumprimento junto da banca irá crescer e o número de falências registará, por certo, um aumento. As PME que conseguirem ultrapassar este deserto recessivo irão sair mais fortes.

A saída está, cada vez mais, no mercado externo. O Orçamento para 2011 sinaliza essa oportunidade ao criar uma linha de crédito para as PME de três mil milhões de euros e, sobretudo, ao reforçar a rubrica destinada a seguros de crédito. Ao fazê-lo, o Estado sinaliza que os mercados de risco, a inevitável Angola e países do Magrebe, se constituem como alternativa para que as empresas consigam equilibrar os seus negócios. Além disso, a Alemanha e a França, por exemplo, mercados tradicionais das exportações portuguesas, deverão crescer, o que também ajudará a minimizar os impactos negativos de 2011. Mas, também aqui, os compradores irão pressionar a uma descida de preços, sabendo que estão numa posição negocial forte.

Se a isto se acrescentar, como é do conhecimento comum, que mais de 90% das empresas nacionais são PME, percebe-se a dimensão do problema. A dúvida é saber se o Estado vai usar a PME Investe para fazer de bóia salvadora, sem olhar a quem, ou a vai aproveitar para ajudar a criar uma cultura empresarial onde o mérito e a eficiência acabe de vez com a pedinchice.

Fonte: Negócios

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2010-10-21T22:11:37+00:0021/10/2010|Categorias: Geral|0 comentários
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