A Reserva Federal dos EUA deu poucas pistas ao mercado após a reunião desta semana sobre o ‘timing’ e a velocidade com que irá subir as taxas de juro.

São as questões para os biliões de dólares dos mercados. Quando irá a Reserva Federal dos EUAsubir as taxas de juro pela primeira vez em cinco anos? E, mais importante, qual o ritmo que a autoridade monetária seguirá quando decidir entrar no caminho da normalização das taxas de juro, colocando um ponto final no período de condições monetárias?

No final de quarta-feira, o Comité de Operações de Mercado Aberto (FOMC) deu novas pistas sobre o ‘timing’ da primeira subida em cinco anos das taxas de juros nos EUA, que estão, desde 2008, num mínimo histórico de entre 0% e 0,25%. Na reunião dos decisores de política monetária, os membros do FOMC reiteraram as projecções para o valor a que entendem que a taxa de referência estará no futuro. A mediana das projecções dos 17 participantes na reunião aponta para que a taxa dos fundos federais se situe em 0,625% para este ano. No entanto, para 2016 estas projecções, conhecidas como ‘dots’ na gíria dos mercados, foi revista em baixa de 1,875% para 1,625%, o que sinaliza uma eventual subida mais gradual das taxas no decurso de 2016.

As projecções dos membros do FOMC, conhecidas como ‘dots’ na gíria dos mercados, têm implícita duas subidas de 25 pontos base da taxa ainda este ano. Já para 2016, as previsões “implicam que os participantes do FOMC esperam agora quatro em vez de cinco subidas em 2016”, referiram os analistas do Rabobank. De referir, no entanto, que a própria Fed advertiu que as taxas podem ser mais baixas do que o visto como normal pelos membros do FOMC.

O poder da taxa de juro dos EUA
A revisão em baixa das perspectivas para as taxas no próximo ano deu um pequeno sinal do poder das taxas de juro nos EUAnos mercados. Desde que o comunicado da reunião do FOMCfoi divulgado, às 19 horas de quarta-feira, e a hora de fecho desta edição, o dólar desvalorizou 0,92% face ao euro. As acções norte-americanas ganharam 1,5%. E até as bolsas europeias, mesmo pressionadas pela indefinição em torno da Grécia, subiram 0,13%. Também as taxas das obrigações soberanas, que têm subido de forma significativa nos últimos meses, tiveram algum alívio. A taxa da dívida norte-americana a dez anos baixou de 2,383% para 2,372%

Estes dados são um prenúncio da sensibilidade de quase todos os tipos de activos ao nível das taxas nos EUA. E um indicador da importância que a gestão de expectativas tem para evitar turbulência nos mercados assim que a Fed carregar no gatilho. Com o mercado acostumado a anos de política monetária ultra-expansionista, que permitiu valorizações recorde nas bolsas, se a entidade liderada por Janet Yellen subir as taxas mais rápido e a um maior ritmo que o esperado pelo mercado, essas decisões poderão provocar turbulência.

O que espera o mercado para o ‘timing’ e o ritmo da subida das taxas?
A perspectiva mais consensual do mercado é de que a Fed prima o botão da normalização dos juros em Setembro. “Suspeitamos que a Fed pode começar a pensar que as pressões inflacionistas serão difíceis de conter no futuro e, assim, uma alteração da taxa em Setembro continua a parecer o desfecho mais provável”, referiram os economistas do Wells Fargo numa nota a investidores. A perspectiva é partilhada por outras entidades como a Schroders e a BlackRock, por exemplo.

Mas o grau de confiança não é elevado. A BlackRock, por exemplo, adverte que não se pode excluir uma subida da taxa já em Julho nem se deve descartar que a Fed inicie o ciclo de subida das taxas em Outubro. E o consenso dos analistas tem falhado no passado. Em 2014, a maior parte dos economistas esperava que a subida tivesse ocorrido este mês, cenário que foi colocado de parte após os dados menos positivos da economia norte-americana no início do ano.

E os indicadores recentes, apesar da Fed ter sublinhado melhorias na actividade económica, também estão longe de dar certezas. “No decurso de Maio, os mercados tiveram dificuldade em apontar uma nova data para a primeira subida da taxa e mudaram de perspective entre Setembro, Outubro e Dezembro. Até uma eventual subida em 2016 esteve em foco”, observaram os economistas do Rabobank numa nota a investidores.

Mas para prever as decisões de política monetária é necessário saber interpretar as espécies de mensagens em código dos banqueiros centrais. O Natixis interpretou o comunicado e os dados da reunião desta semanas como um sinal de que existe agora uma menor probabilidade de se subirem os juros em Setembro. E, apesar do consenso dos membros do FOMC apontar para duas subidas este ano, os economistas do banco realçam que “sete dos 17 membros esperam agora apenas uma (de 25 pontos base) ou nenhuma subida da taxa este ano. O discurso de Yellen sugere que ela pode estar nesse grupo”.

Fonte: Económico

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2015-06-21T20:35:00+00:0021/06/2015|Categorias: Internacional|Tags: , |0 comentários
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