Cinco “cajas” e dois bancos espanhóis terão, neste momento, rácios de capital abaixo dos 8% que o Governo vai exigir já em Setembro. O plano anunciado segunda-feira está a deixar as “cajas” à beira de um ataque de nervos. E há quem preveja a impossibilidade de concretizar a recapitalização

Sete entidades financeiras, cinco caixas de aforro (“cajas”) e dois bancos têm, actualmente, rácios de capital inferiores a 8%, o mínimo que passará a ser exigido, de acordo com o jornal espanhol “El Mundo”. Algumas caixas de aforro, apanhadas de surpresa pela imposição desse rácio a 30 de setembro, vêem dificuldades em conseguir essa meta. E aguardam por mais pormenores sobre o plano de recapitalização.

A que apresenta os piores rácios é a NovaCaixa Galicia, que tem um rácio “core capital” de 6%, o que vai obrigá-la a reforçar os capitais em 1,17 mil milhões de euros para chegar aos 8%. Esta “caja” já recebeu 1,16 mil milhões de euros do Fundo de Reestruturação Bancária.

A CatalunyaCaixa conta, também, com um rácio de 6,3% e a Unnim de 6,2%, necessitando, assim, respectivamente de 900 milhões e de 355 milhões de euros. Estas entidades também já receberam dinheiro do Fundo de Reestruturação. A Catalunya recebeu 1,25 mil milhões e a Unnim 380 milhões.

A Caja Duero-España também sairá afectada com a exigência de terem rácios de 8%. A entidade tem um rácio de solvabilidade de 7,1%, o que obrigará a um reforço de 260 milhões de euros.

Já o Banco Financiero y de Ahorro, que integra a Caja Madrid, Bancaja e outras cinco caixas, tem um rácio de 7%, pelo que terá de captar dois mil milhões de euros. Este, segundo o “El Mundo” poderá ser dos casos mais fácreis de solucionar, uma vez que ao constituir-se enquanto banco pode prever a entrada de investidores privados. Mas o resto das Caixas, reforçar capitais pode passar por venda de carteiras de crédito ou desinvestimentos nos activos industriais.

Dois bancos serão também afectados pela maior exigência ao nível do rácio de solvabilidade. É o caso do Bankinterque tem de reforçar-se em 400 milhões de euros, e o Sabadell. O “El País” acrescenta a esta lista do “El Mundo” o Banco de Valencia, filial da Bancaja.

O Bankinter, segundo o “Expansión”, deverá avançar com venda de activos que poderão assegurar-lhe 1,1 mil milhões de euros.

As medidas governamentais, apresentadas pela vice-presidente do Governo espanhol Elena Salgado na segunda-feira, estão a ser criticados pelos bancos. E também o partido da oposição, o PP, criticou o plano de resgate às caixas de aforro.

As instituições que até 30 de setembro não conseguiam o rácio “core capital” de 8% serão intervencionadas pelo Estado. Há já quem anteveja não conseguir atingir essa meta. O “El País” diz mesmo que algumas instituições vêem a missão “quase impossível”.

Um dos gestores de uma das instituições com problemas declarou ao “El País”, que “se um grupo de ‘cajas’ tem de ir ao mercado, todos ao mesmo tempo, captar 20 mil milhões, dificilmente conseguiremos”. Já os fundos internacionais asseguraram ao “Expansión” que vão exigir condições para investirem nos bancos ou caixas espanholas, nomeadamente querendo fazer-se representa nas administrações. Estes gestores admitem mesmo insuficiente os 20 mil milhões de euros estimados pelo Governo espanhol como necessidade para recapitalizar o sistema financeiro.

As consequências deste plano do Governo poderão resultar em mais intervenções do Estado nos capitais das instituições financeiras e nas fusões entre instituições, estimam os analistas. As medidas, dizem por outro lado ao “Cinco Días”, vai dificultar o acesso ao crédito.

Fonte: Negócios

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2016-12-01T15:39:09+00:0002/02/2011|Categorias: Internacional|0 comentários
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