O governo vai pagar, durante seis meses, até 80% do valor do estágio às pequenas e médias empresas que contratem desempregados com mais de 31 anos e que estejam inscritos nos centros de emprego há mais de um ano. As outras empresas poderão receber 65%.

O programa Reativar arranca hoje, com um custo nas contas do ministro Pedro Mota Soares de 43 milhões de euros. Objetivo é diminuir o desemprego de longa duração. Em março, havia 290 088 pessoas sem trabalho há mais de um ano, menos 42 mil (-12,7%) do que um ano antes. São, mesmo assim, quase metade dos inscritos nos centros de emprego.

“Isto não é um verdadeiro programa de estágios. Cria empregos que são pagos abaixo do valor da contratação coletiva”, critica Francisco Madelino. O antigo presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) refere-se ao valor recebido por cada estagiário, entre 419,22 euros (abaixo do salário mínimo nacional, que é de 505 euros) e 691,7 euros brutos.

“É mais uma medida sem efeitos de empregabilidade. Trata-se da substituição de postos de trabalho por estágios”, acusa também João Camargo, um dos dirigentes dos Precários Inflexíveis, que recorda os últimos dados do Banco de Portugal: seis em cada dez novos empregos criados em Portugal são estágios.

A comparticipação dos salários destes estágios promovidos pelo IEFP irá variar entre 65% para a generalidade das empresas e 80% para entidades sem fins lucrativos ou empresas com 10 ou menos trabalhadores e que não tenham beneficiado de outros apoios.

“Este será um excelente apoio às pequenas e médias empresas, que se encontram a reforçar as suas equipas e que assim poderão fazê-lo com um nível de investimento mais reduzido”, antecipa Nancy Almeida. “Permitirá às empresas reforçar as suas equipas com profissionais experientes, conhecedores dos seus mercados de atuação, que trarão mais-valias importantes ao negócio”, justifica a responsável da agência de recrutamento Hays ao DN/Dinheiro Vivo.

A experiência é uma das ideias do novo programa do governo. No caso dos estágios para desempregados com idades acima dos 45 anos, a empresa pode beneficiar de uma comparticipação acima dos 65%. Numa situação-limite, indica Francisco Madelino, “podemos ter uma pessoa com 65 anos a fazer estágios”.

Os empresários, é claro, aplaudem o novo programa de apoios ao emprego. “Temos usado os programas de estágio nos últimos seis ou sete anos. Os estagiários têm ficado na empresa porque são bons quadros”, conta Fortunato Frederico. O presidente do grupo Kyaia, um dos maiores da indústria do calçado, considera que estes programas ajudam a “formatar pessoas para o mundo do trabalho. O que a universidade não ensina, ensina a empresa”.

Uma experiência partilhada por Miguel Ribeiro Ferreira. “Com estes estágios, os trabalhadores vão acabar por ficar nas empresas e gerar um efeito permanente de diminuição do desemprego”, diz o presidente da Fonte Viva, líder ibérica no fornecimento de água, café, chá e snacks.

“O regresso ao trabalho permite a aproximação destas pessoas à sociedade. Ajuda a tornar as pessoas úteis”. A nova medida do governo deve mesmo contar com a adesão deste empresário, um dos “tubarões” da versão portuguesa do Shark Tank: “Vou aproveitar [para recrutar pessoas], desde que haja enquadramento.”

E que fariam diferente de Pedro Mota Soares para criar mais emprego? O presidente do grupo Kyaia diz que “não basta criar programas de estágios. O Estado tem de criar condições para as empresas poderem criar empregos”. Fortunato Frederico refere que “não é por ter um subsídio que vou buscar uma pessoa com 35 anos. Mas é claro que se houver apoio é mais fácil os empresários tomarem uma decisão”, adianta. Miguel Ribeiro Ferreira lamenta que as medidas “tenham demorado tanto tempo a ser implementadas”. De resto, “o governo está a fazer um bom trabalho.”

No final de março, de acordo com os dados publicados neste fim de semana pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, estavam inscritos nos centros de emprego 590 605 desempregados, menos 99 220 (-14,4%) do que há um ano. Destes, 516 mil tinham mais de 25 anos.

Fonte: Dinheiro Vivo

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2015-06-14T15:34:56+00:0020/04/2015|Categorias: Portugal|Tags: , , |0 comentários
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