Alemanha e França estão a pressionar Portugal para recorrer à ajuda externa. Fonte do Eurogrupo disse à Reuters que o valor deve oscilar entre 60 e 80 mil milhões.

Uma fonte sénior da zona euro não identificada, citada pela Reuters, admitiu que a Alemanha e a França, bem como outros países do bloco, estão a pressionar Portugal para pedir auxílio financeiro à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com vista a travar o contágio da crise de dívida soberana da região a outras economias do euro, em especial a Espanha.

“A França e a Alemanha indicaram, no contexto do Eurogrupo, que Portugal deve pedir ajuda o mais rápido possível”, disse a mesma fonte, acrescentando que a Finlândia e a Holanda manifestaram posições semelhantes.

Questionada sobre o montante de um eventual resgate a Portugal, a mesma fonte revelou que “será mais de 50 mil milhões de euros e menos de 100 mil milhões, talvez entre 60 e 80 mil milhões. Mas ainda não sabemos as necessidades do sector bancário português”.

Estas declarações surgem um dia depois de a possibilidade de Portugal accionar um pedido de ajuda externa ter feito manchetes em alguma imprensa europeia. Referindo-se a um artigo a publicar na segunda-feira na revista alemã Der Spiegel, a AFP revelou ontem que o periódico alemão, sem citar fontes precisas, afirma que “peritos” dos Governos da Alemanha e da França esperam que Portugal se coloque sob a assistência da União Europeia para evitar um contágio da crise da dívida para Espanha. Também este sábado, o El Mundo escreveu em manchete que Portugal deverá recorrer à ajuda do FMI no final do mês.

A fonte da zona euro comentou ainda que a pressão para Lisboa pedir auxílio internacional cresceu nos últimos dias, depois de os juros da dívida pública nacional a 10 anos terem subido acima da fasquia dos 7% na semana passada, revelando que antes da cimeira de líderes europeus realizada em meados de Dezembro Portugal foi pressionado a solicitar apoio financeiro, mas sem sucesso, por causa da oposição de José Sócrates.

Segundo a mesma fonte, o ‘timing’ do eventual pedido de ajuda externa por parte de Lisboa depende de três factores: evolução dos juros da dívida soberana da República, posição de Sócrates e da intensidade da pressão que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy estão dispostos a exercer.

Portugal vai realizar na próxima quarta-feira a primeira emissão de títulos de dívida de longo prazo deste ano. O IGCP, entidade que gere o crédito de Portugal, pretende vender entre 750 e 1.250 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidades a quatro e a 10 anos.

“O leilão [de OT] vai ser observado com muita atenção”, disse a mesma fonte.

Outra fonte da zona euro disse à agência internacional de notícias que “Portugal ainda não pediu ajuda externa”, sublinhando que “aritmeticamente falando, não seria necessário [um resgate a Portugal], mas dada a histeria do mercado pode tornar-se útil”.

Desde o ‘bailout’ da Irlanda, Portugal tornou-se no próximo alvo dos mercados. As autoridades europeias temem que o contágio da crise de dívida chegue também a Espanha.

Fonte: Económico

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2011-01-09T20:30:04+00:00 09/01/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
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