Portugal é o país da União Europeia com o pior índice de pagamentos, influenciado pelo atraso dos pagamentos do Estado, com 185 pontos face à média europeia de 155 pontos, divulgou esta terça-feira o director-geral da Intrum Justitia.

O director-geral da Intrum Justitia Ibérica, Luís Salvaterra, explicou que o índice de pagamentos analisou quatro variáveis em 25 países: o prazo dos pagamentos acordados e os dias excedidos, o valor dos incobráveis (facturas perdidas), a análise macroeconómica e informação recolhida junto das empresas.

Num encontro com jornalistas, Luís Salvaterra destacou que Portugal “não é o país com prazos mais elevados, nem aquele com mais incobráveis, mas sim aquele em que os prazos mais são excedidos”.

Um dos principais causadores deste problema é o Estado, frisou o responsável, uma vez que os pagamentos são feitos em períodos muito mais dilatados do que os da média europeia, em 141 dias face aos 63 dias dos restantes países.

O cenário é semelhante quando se observam os valores das empresas, que demoram em média 88 dias a pagar, contra os 55 dias de média verificados nos restantes países, assim como os dos consumidores, que se atrasam a pagar em média 62 dias, face aos 39 registados em média na Europa.

“A construção e a saúde são os sectores que mais têm dificuldades, recebem mal e com bastantes atrasos, porque tem um peso do Estado bastante grande. Pela positiva destaco o sector das ‘utilities’, porque são serviços públicos de que as pessoas estão tão dependentes que têm de pagar”, sublinhou.

Quanto aos incobráveis (facturas que não são recuperadas), os serviços profissionais, como a engenharia e os advogados, são dos mais afectados, devido ao tipo de contrato que existe entre empresas e esses serviços, que “não são os fundamentais para as empresas”, frisou.

O sector imobiliário, acrescentou, é também um dos mais afectados, tendo sofrido um aumento “bastante grande” face a 2008/2009, assim como a educação, nomeadamente ao nível dos colégios e infantários, que têm muitas dificuldades em cobrar as facturas a tempo.

O director-geral da Intrum Justitia alertou ainda para o facto de a recuperação económica na Europa estar ameaçada por 300 mil milhões de euros de dívidas, um valor igual à dívida pública da Grécia. No caso português, a dívida é de seis mil milhões de euros.

O cenário para 2011 também não é muito animador segundo Luís Salvaterra: “Temos cada vez mais dificuldade em cobrar e isto não tem nada de estranho, está relacionado com o nível de desemprego e as restrições ao crédito, o que vai limitar as empresas, caso estas não se modernizem”.

Uma “viragem” poderá ser a directiva, já aprovada pela Comissão Europeia e que deverá ser transposta até 2013, segundo a qual há uma preocupação com o pagamentos em atraso do Estado.

“Vem fazer com que o Estado tenha de pagar até ao máximo de 60 dias, mas preferencialmente em 30 dias, e no caso de este não pagar, terá de o fazer automaticamente com juros de mora. Prevê também um custo de cobrança imputado ao devedor”, disse.

Para o responsável da Intrum Justitia, a directiva e a profissionalização da área de gestão do crédito e o melhor funcionamento dos tribunais são essenciais para Portugal.

Fonte: Correio da Manhã

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2016-12-01T15:39:10+00:00 14/12/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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