O deputado social-democrata Pacheco Pereira afirmou na sexta-feira à noite, em Coimbra, que Portugal esteve, na quarta-feira, à beira da banca rota quando o Governo lançou no mercado mil milhões de euros de dívida pública.

«Estivemos no limite da banca rota. Na última emissão houve enormes dificuldades antes do Banco Comercial Europeu desatar a comprar dívida para nos salvar o pescoço», disse numa sessão sobre O estado do Estado na sede do PSD distrital.

Pacheco Pereira recordou que, em dois dias, o Presidente da República reuniu-se com todos os banqueiros nacionais, falou com o presidente da Comissão Europeia e com o ministro das Finanças, quando o país estava em «plena crise económico-financeira».

«Estamos claramente no limite de uma crise de grande gravidade», sustentou o político do PSD, acusando o Executivo socialista de ser o responsável pelo «descalabro da dívida»verificada nos últimos anos.

O historiador social-democrata salientou que a Europa «não nos é hoje favorável» e Portugal não é só visto como o «país que não cumpre», mas é olhado com «muita hostilidade por aqueles que têm a bolsa, e nós hoje precisamos desesperadamente de aceder à bolsa».

O deputado defendeu ainda um acordo entre os dois maiores partidos (PS e PSD) para se conseguir ultrapassar a crise que, segundo a sua previsão, vai durar cerca de uma década.

«Estamos numa enorme crise que, na melhor das hipóteses, demora quase uma década a resolver se tudo correr bem. E correr bem significa ter um plano consistente de austeridade, com princípio, meio e fim, que desloque os poucos recursos disponíveis para aquilo que é fundamental», disse Pacheco Pereira.

«Ninguém tenha ilusões de que nos próximos anos seja possível manter um programa consistente de mudança, sem haver qualquer forma de entendimento entre os dois partidos, sobre isso não tenho dúvida nenhuma», acrescentou.

Embora tenha dito que não é favorável ao chamado «bloco central», Pacheco Pereira considerou que «não é possível fazer mudanças impopulares sem haver um acordo entre os dois».

«Não digo que seja um acordo de Governo, mas seja como for não é possível fazer aquilo que é hoje necessário e exigido sem qualquer forma de participação dos dois, pois um só não resulta», explicou.

O antigo eurodeputado social-democrata advertiu ainda que«vamos passar um longo período e o melhor que nos podia acontecer, é que esse período fosse bem pensado, estruturado e não se abandonasse ao menor sinal de que as coisas estavam a correr bem».

Fonte: Sol

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2011-02-20T23:17:00+00:0020/02/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
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