Segundo o “The Guardian”, o primeiro-ministro português telefonou na semana passada à chanceler alemã “desesperado” para “pedir ajuda” da Alemanha, mas não uma intervenção externa nos moldes em que aconteceu com a Grécia e na Irlanda.

De acordo com a edição de hoje do jornal britânico, que cita fontes que terão testemunhado a conversa telefónica entre os dois dirigentes, José Sócrates terá prometido a Ângela Merkel fazer “tudo o que fosse necessário” em troca de apoio europeu.

O “The Guardian” não situa com precisão o dia em que a conversa terá tido lugar, mas a semana passada ficou marcada por compras de títulos da dívida portuguesa por parte do Banco Central Europeu descritas como “agressivas” por vários operadores.

Esse expediente terá permitido aliviar as taxas de juro antes da primeira emissão do ano que acabou por saldar-se por um relativo sucesso, com a procura a superar em mais de três vezes a oferta e a taxa de juro a ficar em 6,71%, aquém da barreira psicológica dos 7% e abaixo de uma operação comparável realizada em Novembro.

Ainda de acordo com o jornal britânico, depois de Merkel ter recebido o telefonema de José Sócrates perguntando “o que fazer”, a chanceler falou com Dominique Strauss-Khan, director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A líder alemã terá também telefonado a Giulio Tremonti, que o “The Guardian” descreve como “o respeitado ministro italiano dos Negócios Estrangeiros”, mas que, na realidade, é hoje ministro da Economia e Finanças de Sílvio Berlusconi, tendo sido um dos proponentes, ao lado de Jean-Claude Juncker (primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo) do lançamento de obrigações europeias como forma de combater de frente a actual crise da dívida soberana – com Portugal a ser amplamente considerado como a provável próxima vítima.

“Merkel falou a Strauss-Kahn sobre o dilema de Sócrates”, mas este ter-lhe-á respondido que o “pedido português era inconsequente” porque “Sócrates nunca seguiria qualquer conselho que lhe fosse dado”, escreve o jornal.

O texto do “The Guardian” sugere que o apoio que Berlim terá negado a Sócrates veio depois de Bruxelas. “No mesmo dia da semana passada em que Sócrates foi ignorado por Berlim, José Manuel Barroso, o presidente da Comissão Europeia, anunciou em Bruxelas que o fundo europeu de resgate tinha de ser reforçado”.

O Negócios tentou entrar em contacto com o gabinete do primeiro-ministro para obter uma reacção, mas tal ainda não se revelou possível.

Fonte: Negócios

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2016-12-01T15:39:09+00:0019/01/2011|Categorias: Portugal|0 comentários
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