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Há muito que os mercados financeiros negoceiam indiferentes à crise económica, alimentados pela liquidez dos bancos centrais. Terão ido longe demais? Depende da próxima época de resultados.

[/text_output][text_output]O tempo médio de duração de um período de ‘bull market’, desde 1928, é de 57 meses. O actual já dura há 72 meses e apresenta uma valorização superior a 200%. Dados que levam o banco Best a afirmar este poderá ser o terceiro ‘super bull market’ da história: o primeiro ocorreu em 1920 e o segundo em 1990.

O arranque de 2015 está ser marcado por sucessivos máximos nos principais índices mundiais. Segundo a análise do Banco Best podemos estar perante o terceiro ‘super Bull Market’ da história. O que vos leva a dizer isso?
Temos assistido a uma subida contínua dos principais índices de acções. Se considerarmos o mínimo registado no pós-crise financeira de 2008, o S&P 500 acumula uma subida de 210%. Se considerarmos a componente dos dividendos, os ganhos são superiores a 250%. Fazendo uma análise histórica à evolução do mercado de acções nos EUA estamos a assistir ao quarto maior ciclo de subidas. Os anteriores ciclos ocorreram entre 1949 e 1961 (subida de mais de 350%), entre 1982 e 1987 (250%) e 1990 e 2000 (cerca de 400%). Em termos temporais, o ‘bull market’ que estamos a assistir há seis anos é o terceiro maior da história, ficando atrás dos ciclos de 12 anos e 10 anos anteriormente registados.

O que está a alimentar este comportamento das bolsas?
É necessário recordar que o actual ‘bull market’ está a ocorrer após os EUA terem registado o seu maior ‘bear market’: num espaço de ano e meio, o Dow Jones perdeu metade do valor. A intervenção sem precedentes dos bancos centrais – Fed, Banco de Inglaterra, Banco do Japão e agora do BCE – injectou liquidez no mercado, promovendo uma política de taxas de juro ultra baixas, e estimulou a procura por activos de risco, ao mesmo tempo que as empresas revelaram resultados que incentivaram os investidores a aumentarem, progressivamente, a sua exposição a acções.

Esse ‘boom’ é sustentável? Até que ponto tem correspondência com os fundamentais das empresas?
Aqui é importante separar a especificidade e o ciclo de cada um dos mercados. No caso dos EUA, a valorização do mercado de acções no último ano tem sido caracterizado por uma expansão dos múltiplos, estando neste momento o S&P500 a incorporar um rácio P/E de 16x. Em termos fundamentais, nesta fase, o mercado de acções americano está “mais caro” do que os seus congéneres. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar face à generalidade das moedas coloca sob pressão os resultados das empresas norte-americanas com exposição aos mercados externos. Neste sentido, a próxima época de apresentação de resultados de empresas dos EUA, que começa em Abril, será muito importante: não somente pelos resultados mas também para as previsões que as empresas irão comunicar face à recente evolução do dólar. No entanto, a força do mercado de trabalho dos EUA é um factor revelador do dinamismo da economia americana, e portanto é um mercado que não deve ser colocado de parte pelos investidores.

Investir em acções americanas ou europeias? A Europa negoceia de facto a “desconto”?
No actual contexto, na classe de risco de acções, temos uma maior preferência pela zona euro. No entanto, a exposição deverá ser efectuada de uma forma ponderada e abrangente em termos sectoriais. Neste momento as empresas da zona euro estão sob o efeito de três forças positivas: a desvalorização do euro (que fomenta a sua componente exportadora), a descida das taxas de juro (que se traduz em menores custos financeiros), a quebra dos preços do petróleo (aumento do consumo das famílias e descida dos custos de produção em alguns sectores). A conjugação destas três forças incorpora um maior nível de confiança dos investidores e dos agentes económicos, registando-se assim uma preferência por acções da zona euro.
Após a recente valorização dos mercados de acções da zona euro, os investidores têm agora a expectativa que as empresas revejam em alta os seus resultados nos próximos meses (até Maio), de forma a assistirmos a uma relação equilibrada entre os preços das acções e os resultados das empresas. Depois do ‘rally’ das acções europeias chegou a hora das empresas apresentarem resultados.

O ‘quantitative-easing’ na Europa é a arma que faltava para relançar a economia e impulsionar os resultados das empresas?
O ‘quantitative-easing’ é uma peça do puzzle. Até poderá ser central dado o elemento catalisador para o reforço da confiança dos agentes económicos. Porém não irá produzir resultados a médio e longo-prazo caso não haja um conjunto de reformas que permitam fomentar empresas cada vez mais competitivas e com maior capacidade para criarem mais emprego assim como finanças públicas equilibradas. A recuperação da actividade económica da zona euro será maior, quanto maior o efeito positivo das medidas do BCE nas PME. As PME que representam 80% do emprego gerado na zona euro, são um elemento-chave para a recuperação da actividade económica, seja através da injecção de capital ou pela disponibilização de crédito ao investimento.

Quais os principais riscos para as bolsas até ao final do ano?
Do ponto de vista político, há dois temas que deverão reunir a atenção dos investidores: a Grécia e as eleições legislativas no Reino Unido (RU) em Maio. Decorridos dois meses após as eleições gregas e um mês após o acordo para a apresentação de reformas, subsistem dúvidas sobre o desenlace das negociações entre o governo grego e os credores oficiais. Por outro lado, o UKIP emerge enquanto força política no RU e será necessário avaliar os efeitos colaterais que poderão ocorrer na relação entre o RU e a União Europeia. Ao nível das empresas, dada a recente valorização, a próxima época de apresentação de resultados terá uma relevância acrescida: enquanto as empresas americanas irão apresentar as suas estimativas à luz da valorização do dólar e crescimento do mercado de trabalho, nas empresas europeias o foco dos investidores estará na eventual revisão em alta das suas estimativas decorrente de um ambiente económico tendencialmente mais favorável. Até final do ano os bancos centrais irão reunir a atenção dos investidores, em especial a Fed face à estimativa de subida de taxas de juro.[/text_output][text_output]Fonte: Económico[/text_output][share title=”Partilhe esta notícia!” facebook=”true” twitter=”true” google_plus=”true” linkedin=”true” pinterest=”true” reddit=”true” email=”true”][/vc_column][/vc_row]

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2016-12-01T15:37:52+00:0025/03/2015|Categorias: Geral|Tags: , |0 comentários
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