A fábrica que a Mitsubishi prevê construir na Galiza, junto à fronteira portuguesa, pode afinal vir a ser desviada para o concelho de Monção. A autarquia está a seduzir o consórcio nipónico, que prevê investir 500 milhões de euros e criar 1500 postos de trabalho, disponibilizando terrenos a custo zero, apurou o DN.

Isto porque, na Galiza, o terreno tem sido um dos entraves ao investimento, tendo em conta os 200 mil metros quadrados necessários à instalação daquela que será a maior fábrica europeia de baterias para carros eléctricos. Na região autónoma espanhola, em que o concelho de Salvaterra, fronteiro a Monção, está na linha da frente para receber a fábrica, diversos entraves burocráticos têm dificultado a libertação dos terrenos, o que até levou o governo autonómico a criar legislação própria para tentar impedir a fuga deste investimento e permitir a utilização destes lotes enquanto decorre o processo expropriativo.

Face a este impasse, que já levou o consórcio liderado pela Mitsubishi a estudar alternativas, o concelho vizinho de Monção decidiu entrar na corrida e, através da Agência para o Investimento e Comércio Exterior (AICEP), apresentou uma proposta que poderá ser mais vantajosa, desde logo porque os terrenos já estão disponíveis. Trata-se do projecto Minho Park, que resulta de um investimento de 25 milhões de euros para criar um parque para instalação de empresas e fábricas, numa área total de um milhão de metros quadrados. Neste terreno, a venda de lotes faz-se a valores entre os 30 e os 70 euros por metro quadrado e, em contrapartida, a fábrica poderá ainda beneficiar de incentivos fiscais para a instalação no concelho português, o que, na prática, indicam fontes ligadas ao processo, equivaleria a terrenos para instalação a custo zero.

A instalação desta fábrica da Mitsubishi na zona da Galiza tem como ponto forte a proximidade do maior construtor espanhol de automóveis e parceiro deste projecto, o grupo PSA (Peugeot-Citroën), em Vigo, mas os galegos mostram-se já preocupados com as condições oferecidas em Portugal, que beneficiariam de uma localização que dista menos de dez quilómetros da proposta inicial.

Na Galiza recorda-se mesmo que, a concretizar-se, não seria este o primeiro investimento de vulto previsto para aquela região espanhola e que depois acaba em Portugal, de empresas como a Rodman, Ensa, Grayto, Garimar Yatchs, entre outras. As condições de aquisição de terrenos e a sua disponibilização imediata são alguns dos factores primordiais que nos últimos anos têm levado dezenas de empresas a trocar o solo galego pelo do Alto Minho.

Quanto à fábrica da Mitsubishi, segundo as previsões actuais, terá capacidade para produzir 100 mil baterias por ano e 20% destas seguirão directamente para equipar as viaturas eléctricas que o grupo PSA vai começar a construir em Vigo. Além de Salvaterra e Monção, na corrida a esta fábrica encontra–se a localidade galega Tomiño, fronteira ao município português de Vila Nova de Cerveira, e uma outra cidade austríaca.

Fonte: Dn

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2010-12-24T01:32:49+00:0024/12/2010|Categorias: Portugal|0 comentários
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